terça-feira, 11 de novembro de 2014

NOSFERATU

"Nosferatu", o filme de F. W. Murnau. 
Após a 1ª Guerra Mundial, o cinema alemão procurou as raízes plásticas do expressionismo, encontradas, em principio, na pintura, para retratar melhor o sentimento de pavor por que passava a população e possivelmente o espectro do nazismo que emergia ( quem lembra as imagens sobre a sociedade mostrada em “Cabaret”, de Bob Fosse?
“Nosferatu” (Alemanha, 1922) figura entre os primeiros filmes expressionistas. Só é superado no tempo por “O Gabinete do Dr. Caligari” (1919) de Robert Wiene, um sucesso no seu país de origem (e depois no mundo inteiro).
O roteiro assinado por Henrik Galeen, o mesmo que dirigiu “O Golem (1920) e escreveu “O Estudante de Praga”(1926) trata da visita que o corretor Hutter (Gustav Von Wangenheim) faz ao Conde Graf Orlok (Max Schreck) em seu castelo na Transilvânia, sabendo que este conde quer negociar seu espaço. Acompanhando Hutter está a esposa dele, Ellen (Greta Schroeder). Depois do primeiro contato com o conde começam a surgir fenômenos estranhos, como sombras pelas paredes do prédio, acabando por definir a imagem de um vampiro.
Em um estudo minucioso sobre o conteúdo do filme & modernidade, o Prof. Giovanni Alves revelou: “O mal está entre nós e assim se apresenta em corpo, espírito e verdade. De certo modo, o vampiro de Murnau conseguiu ser a síntese estética do Horror que iria se abater sobre a civilização do Capital na década seguinte - nos anos de 1930 ocorreria a ascensão do nazi-fascismo na Alemanha, pré-anunciando o horror da II Guerra Mundial. É o que Arendt considerou a “banalização do Mal”. (http://www.telacritica.org/ )
A fotografia de Fritz Arno Wagner e Günther Krampf é capital para que o filme ganhe a dimensão formal proposta. A iluminação entre os claros e escuros deixa evidência de um ambiente sinistro. E o ator Max Schreck (1879-1936) compõe um Nosferatu impressionante. A expressividade de sua figura marcou tanto que favoreceu a realização de um filme inteiro em sua homenagem, “A Sombra do Vampiro” (Shadow of the Vampire, EUA, 2000), com o ator Willem Dafoe compondo a sua imagem (em especial, como foi maquilado para ser Nosferatu).
O filme de F. W. Murnau perseguiu a lenda. Usou o nome de Nosferatu, pois não houve acordo com os herdeiros do escritor Bram Stoker, autor de “Dracula”. O nome do vampiro só passou a ser usado no cinema na década de 1930 quando foi filmado pelos estúdios da Universal com direção de Tod Browning e apresentando Bela Lugosi que se notabilizaria na protagonixação em muitas outras realizações. Schreck ainda atuou em 41 filmes, a maoria na fase do cinema mudo. E Drácula foi multiplicado em mais de uma centena de produções, inclusive adentrando outros gêneros como a comédia (“Dracula, Morto, mas Feliz” com Liam Neeson).
Hoje os vampiros voltaram à moda e foram glamourizados como no que escreveu Stephenie Meyer para a série “Crepusculo”. O ato de sugar sangue humano não seria o alimento preferido do tipo descrito por Stoker, mas ganhou tempo e espaço como símbolo de uma forma de predomínio, de adequação. São vampiros que plagiam textos de diversos autores como os que se apoiam em trabalhos de diversas áreas criados por outros. Seriam, portanto, sinônimo de plagiadores. Como também há um prisma erótico que o cineasta Roger Vadim apresentou no seu  “Rosas de Sangue” (Et Mourir de Plaisir, França, 1960). No caso, é tematizado uma dependência sexual além de uma simples relação. A jovem Camilla (Annette Stroyberg) com ciúmes de uma amiga transforma-se numa vampira ao se apossar do amor de Leopoldo (Mel Ferrer).
Ultimamente surgiu (e ainda está em cartaz) ”Dracula, A Verdadeira Historia”, aonde se vai à gênese do livro de Bram Stoker e se está presente o Conde Vlad, que de fato existiu, como um príncipe que luta contra os exércitos otomanos. Historiacamente notabilzou-se por empalar seus inimigos. E daí nasceu a lenda do vampiro.

A exibição de “Nosferatu” hoje no Olímpia faz parte do programa “Cinema e Música”(FUMBEL/FCC). O filme mudo será acompanhado pelo Professor e superintendente da Fundação Carlos Gomes, Paulo José Campos de Mello. Ás 18h30. 

Um comentário:

  1. Alex Barata da Silva11 de novembro de 2014 14:42

    Gosto desse filem Nosferatu, como alucinado pleo mito dos vampiros. lembro de ter visto o mesmo no Olympia tempos atras.Luzia voce esqueceu de citar o Dracula de Klaus Kinski:
    https://www.youtube.com/watch?v=Z-I8mIljF6I&noredirect=1

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