quarta-feira, 25 de julho de 2012

CONVITE MACABRO

Os turistas visitando a cidade abandonada em Chernobyl Diaries/EUA, 2012

       Seis estudantes em férias na Rússia resolvem programar uma visita às imediações de Chernobyl, a localidade ucraniana onde aconteceu a explosão de um reator de usina nuclear, em abril de 1986. Com um guia local eles seguem numa van, mas são impedidos de entrar na cidade abandonada desde a explosão do reator. Apesar disso, insistem. O guia deriva pela mata e eles chegam até às proximidades dos prédios abandonados. Mas nessa hora, o carro em que viajam entra em pane. E o guia-motorista resolve sair atrás de socorro. Não volta. Anoitece. E começa o drama dos estudantes. Como sair dali? Como pedir auxílio se entraram ilegalmente no lugar?

O filme “Chernobyl”(Chernobyl Diaries/EUA, 2012) filia-se ao ciclo de terror radioativo, com baixo orçamento. Um dos roteiristas, Oren Peli, é o mesmo que diirigiu “Atividades Paranormais”(2009) e escreveu o roteiro de “Atividades 2”, da série (dizem que seu interesse pela história atual surgiu quando ele viu a cidade de Pripyat num blog). Mas desta vez o método narrativo deixa a imitação de documentário, desprezando a câmera manual e a luz ambiente, para seguir a linha comum de artesanato, opção que ajuda muito ao diretor Bradley Parker, um estreante. Longe da tentação de fazer “cinema verité” no implausível, ele joga na ficção e consegue pelo menos um ritmo compatível com o gênero proposto. Não há quem possa achar enfadonho o percurso dos estudantes no local ermo, mas repositório de surpresas. O problema é justamente “essas surpresas”. Há o toque comum do gênero com os acordes incentivando os sustos dos espectadores.

 “A Bruxa de Blair” inaugurou um tipo de cinema de baixo custo, nessa linha, de faturamento certo. Mas não se diga que os “filmes de terror” sempre optaram pelo esquema de baixo orçamento e roteiros “espertos”. No programa que estava sendo exibido no Cine Olympia, e que deve retornar quando consertarem o sistema elétrico do prédio, há exemplares do produtor Val Lewton onde o preço da realização era irrisório , a metragem no limite do que se enquadra em “longa” (pouco mais de 60 minutos) e o resultado impressionava sem apelar para processos de parque de diversões para dar sustos.

“Chernobyl” não chega a ser tão ruim quanto se pode pensar. O grupo de interpretes age bem, as locações impressionam, sendo filmado na Sérvia, nos subterrâneos de Belgrado e Hungria, ambientes que sustentam a ação. Há, pelo menos, dois pontos positivos, possivel de extrair de um conjunto que numa visão apressada é um processo corriqueiro de fazer cinema sensacionalista: a vigilância da região que ainda hoje exala radioatividade existe e ganha ares de vilã no fim da história, ficando a lição de que não se deve aceitar convites para “turismo radical”(o caso de um dos rapazes que insiste na visita a Prypiat- Ucrânia, a localidade próxima de Chernobyl, contra a vontade de alguns membros da turma, inclusive o personagem Paul, seu irmão). Além disso, o novo cineasta com o seu editor se esmeram no ritmo da trama. Não perde tempo com filigranas nem detalha os “achados” na zona contaminada pela radiação. Em filmes que abordam uma pós-guerra nuclear como “A Última Esperança da Terra” (The Omega Man, EUA, 1971) refilmado como “Eu Sou a Lenda”( I am legend, EUA, 2008, com Will Smith e Alicia Braga), surgem, numa cidade devastada, seres disformes que vagam à noite, todos vítimas de efeito radioativo. Aqui esses seres podem ser imaginados pela história ambientada em Chernobyl, mas eles não surgem em detalhes para reforçar o medo do público. Os realizadores compreendem que desconhecer é mais aterrorizante do que mostrar. Com isso, o filme se torna interessante. A mim surpreendeu, pois esperava mais um exemplar de medíocres formas de assustar.

Um comentário:

  1. Alex Barata da Silva26 de julho de 2012 12:47

    Luzia gostei de Chernobyl, achei interessante a primicia de utilizar o acidente radiotivo que ocorreu na citada usina, para mostrar dois aspectos o turismo mórbido e a questão da contaminação radiotiva.

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