segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

FÁBULA MODERNA



Novos programas em DVD “entram em cena” na sessão diária de quem, além da atividade para este jornal, tem interesse em assistir às novidades que são lançadas nesse circuito de vídeo. Esta semana assisti alguns inéditos e outros não.
“Menino de Ouro”(Foster/UK 2010, foto) é uma raridade posto que um filme subestimado, exibido em brancas nuvens fora de seu país natal, a Inglaterra. O diretor-roteirista Jonathan Newman havia filmado a mesma historia, em um curta-metragem de 2005. Considerou ampliar para o longa tendo de mudar o ator infantil, Preston Nyman, hoje com 15 anos. Achou Maurice Cole. E ele é o perfeito Eli (antes e chamava Zach), um misterioso garoto de 7 anos que surge no orfanato onde um casal procura adotar uma criança para minorar a dor da perda do único filho, vitimado por aceidente de carro e, pela incapacidade da mãe (Zooey/Tony Collete), apenas no entender dela (não dos médicos que a assistiam) em gerar outra criança. Eli acena para quem seria a sua mãe adotiva. E aparece na casa dela, viajando de taxi, com papéis de adoção sem que o tratamento burocrático para  isso tivesse sido concluído. Como a diretora do orfanato é acidentada e não pode responder pelo caso, o menino vai ficando em um novo lar e as suas atitudes, próprias de adulto, geram entusiasmo especialmente por Alec (Joan Gruffud) o pai adotivo, diretor de uma fábrica de brinquedos e está próximo de ir à falência com a crise econômica do momento. Em tudo o garoto Eli dá o seu palpite dando jeito. Veste-se sempre num figurino clássico - paletó, gravata e chapéu – e diz que “um homem deve estar sempre bem vestido”. Complementando o mistério, há um mendigo no jardim e no cemitério próximos à casa de Alec & Zooey, que diz acreditar em fadas e não se furta em aceitar uma ceia de Natal com a família do amiguinho excêntrico.
O filme é desses que hoje causa estranhamento na produção de um cinema pretensamente realista. O tom de fábula, acima de um conto de Natal melodramático, implica numa atenção com risos e lágrimas dos espectadores. Os interpretes fazem a festa, especialmente o garoto Maurice que mesmo pesquisando na web não consegui encontrar nenhum dado sobre ele, salvo o ter participado, depois deste “Menino de Ouro”, em um episódio da telesérie “Doctor Who”(2011). Ele é uma graça na sua pose de homenzinho sabido (e, na verdade, mais alguma coisa que se vai saber durante o filme).
O programa “all family” de boa qualidade que chega às locadoras. Aproveitem.
Premiado internacionalmente “Missão do Gerente  de Recursos Humanos”(The Human Resources Manager/Israel,2010) trata da morte da funcionária romena de uma indústria de massas em um atentado terrorista em Tel-Aviv. O gerente que dá título ao filme leva o corpo para a terra dela, mas a mãe da morta explica que a jovem filha não gostava dali, que seu sonho era morar em Israel. Começa então a viagem de volta que é feita num tanque de guerra uma vez que o veiculo da viagem inicial foi danificado.  Uma critica à burocracia e uma metáfora da situação política atual do Oriente Méio. Direção de Eran Rikus. Imperdível. Inédito por aqui.
Outro filme inglês inédito nos cinemas é “Reflexos”(Broken/UK 2010). A superstição de que um espelho que se quebre é azar para quem quebrou mescla-se com “Alice no País do Espelho” de Lewis Carrol. Uma radiologista é a peça mais importante dessa trama de terror cuja narrativa se mostra confusa numa linguagem pretensiosa. Mas que não deixa de ser interessante. Direção e roteiro de Sean Ellis. Fotografia premiada no Stiges (Festival de Catalonia).
Na oportunidade, retorno á uma lista de 5 DVDs indicados por este espaço aos leitores. E solicito àqueles que assistirem a um bom programa nessa mídia, podem mandar para a colunista que publicarei nesta seção. É um serviço aos que andam à cata de bons dvds.

DVDS INDICADOS
1.   Menino de Ouro
2.   Missão do Gerente  de Recursos Humanos
3.   Toda Forma de Amor
4.   O Pequeno Polegar
5.   Reflexos 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SHERLOCK MODERNO?



Quem leu os livros e/ou assistiu aos filmes antigos de aventuras de Sherlock Holmes, o detetive inglês imaginado por Sir Conan Doyle, pergunta-se, ao ver essas novas versões para cinema do herói clássico, se vale a liberdade tomada com o tipo e as intrigas mirabolantes. A iniciar-se pelo tipo. Ninguém concebe um Sherlock Holmes sem o corpo esguio, a capa de tecido quadriculado, o boné do mesmo tecido, a lupa que empregava ao pesquisar as pistas deixadas pelos criminosos e o poder de dedução que o fazia desvendar intricados mistérios. Nada disso existe no atual personagem vivido pelo ator Robert Downey Jr. em “Sherlock Holmes”(2009) e “Sherlock Holmes e o Jogo das Sombras”(Sherlock Holmes: A Game of Shadows/2011). Além de a forma física diferir radicalmente, o novo detetive é ágil como herói de quadrinhos da Marvel, bom de briga, desafiador de perigos dignos dos seriados de aventuras (os antigos e os de TV) e apenas radicaliza uma postura que antes se viu de forma preconceituosa como tendência homossexual (nunca explicita na literatura).
No novo filme de Guy Ritchie, cineasta inglês que foi marido da cantora e atriz Madonna e realizou pelo menos um filme premiado, “Snatch, Porcos e Diamantes”(2000), Holmes vai atrás de seu arquiinimigo o professor Moriaty (Jared Harris) que deseja um conflito entre Alemanha & aliados com o grupo formado pela Grã Bretanha e França (principalmente). A ação não chega a 1914, mas abre espaço para o que se deu naquele ano quando o arquiduque Francisco Fernando foi assassinado, junto com a esposa, pelo sérvio Gavrilo Pincip dando inicio à 1ª Guerra Mundial.

A aventura que cerca o processo de investigação dá direito a acrobacias em trens que percorrem pontes e abismos e até alguns números de artes marciais. Seria esta a forma que os roteiristas Kieren e Michele Mulroney (ele ator de cerca de 38 filmes, incluindo-se teleplays e tele séries) acharam melhor para o filme agradar aos jovens espectadores alcançando essa faixa etária. Em outras palavras, seria deixar Holmes mais próximo de Bond (James/007), ou de algum outro super-herói de trânsito livre nos quadrinhos e games.
A narração de Ritchie é um dínamo, com profusão de cortes, predileção por planos próximos, aproveitamento das sombras como forma de lembrar o investigador inglês. E é bem inglês na fala, arrastando silabas como a lembrar que apesar do tipo atlético o “mocinho”é mesmo o criado por Conan Doyle.  Mas não convence.

Esta narrativa, contudo, torna o filme atraente para uma certa ala. Lembra Richard Lester da fase dos Beatles. Para divertir ainda mais o espectador deve esquecer o soturno detetive de historias, a exemplo, “O Cão dos Baskerville”. Mas não é inédita a licença cinematográfica sobre o personagem. Billy Wilder não só usou um Holmes atípico como colocou na trama de “A Vida Intima de Sherlock Holmes” (The Private Life of Sherlock Holmes/UK,EUA,1970) um submarino na época da Rainha Vitória a ser confundido com o lendário Monstro do Lago Ness.
Persistente é a relação de Holmes com o amigo médico John Watson. A amizade, nos livros, usa-a como escada para a ironia do detetive e o sucesso de suas deduções, num diálogo primoroso. Mas sempre deixou margem a um elo intimo. Qual a natureza do afeto entre os dois? No filme de Ritchie, o de agora (em cartaz nos cinemas brasileiros), há uma seqüência de Holmes travestido (para se refugiar de bandidos) e a sabotagem que ele produz no casamento de Watson, atirando a esposa deste (logo depois do casamento) da porta do trem em movimento para o rio (onde seria “pescada” pelo irmão dele, Mucroft Holmes, interpretado por Stephen Fry). Este e outros detalhes são inseridos para dar um toque de comicidade à trama. O objetivo, afinal, é entretenimento. Esquecendo a literatura criada por Conan Doyle e, no cinema, o protagonismo do veterano ator Basil Rathbone(o Holmes clássico do cinema), esta sequência de aventuras com o detetive inglês pode até dar certo. A mim, não. Acostumada desde criança a essa literatura de suspense e de detetives clássicos (Edgard Allan Poe, Agatha Christie, Raymond Chandler, George Simennon, Ellery Quinn, Dashiel Hamett etc) e tendo em Sherlock Holmes o meu preferido, não concebo esse malabarismo coreográfico do atual tipo para atrair público. Clássico é clássico e a estatura desse conceito deve remeter ao respeito do cinema aos tipos concebidos. No filme anterior as evidências de modernização da figura até que deixavam em paz uma certa traquilidade na concepção, mas neste, apesar de conveniente (no meu modo de olhar o público, digo) me deixa insensível. Não foi o meu detetive inglês que vi no filme de Ritchie.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OS PREMIADOS DO “GLOBO DE OURO”


Quem tem no sangue a veia de cinéfilo, pode ter outras marcas, mas aquela tem chances viscerais de levar o/a espectador/a de carteirinha a se tornar um aficcionado de qualquer premiação nesse teor. As críticas a esse tipo de pessoa (que eu sou) são sempre existentes, mas já tenho idade e tempo de atividade na área de para absorvê-las.
Neste preâmbulo, confesso que estive na “primeira fila” do 69º Globo de Ouro realizado em Los Angeles (EUA) na noite do último domingo (15/01). Lista de concorrentes e caneta a postos, além do celular para interagir no twitter, fiquei até o final do evento presenciando as escolhas feitas pela associação da imprensa estrangeira de Hollywood desde 1944. Esta é formada por 88 jornalistas que não são necessariamente críticos, que com suas regras de votação e campanhas promocionais formam suas listas de ganhadores de mais essa estatueta. Diz-se que esses profissionais são bem menos restritivos que os do Oscar. Duas brasileiras participam da comissão: Paoula Abou-Jaoude e Ana Maria Baiana, além de outros de países da América do Sul como Argentina (dois membros) e Chile/Peru (um representante).

Sem elaborar uma lista nos moldes jornalisticos – haja vista que desde ontem esse formato já está na midia – creio que uma “passada” mais pessoal confere minha visão sobre o evento & suas indicações, porque aqui prefiro me postar como uma espectadora qualquer.
Veja-se, por exemplo, o tom da festa: muito simples, sem a ambientação do que se vê no Oscar, onde números musicais e performances são sempre um condutor de chamarizes para estimular o interesse da platéia. Esta, numa panorâmica da câmera e em flashes pontuais revela “casa cheia” entre renomados, iniciantes e alguns desconhecidos atores (em locais aonde os filmes e as séries de tv não chegam). Mas há também os que eu chamei no twiter de “papagaios de pirata”: aqueles que se postam diante das câmeras da imprensa e esperam ao menos ser vistos em seus belos (ou feios) modelos de vestidos e/ou uma “carinha nova” marcando presença. Os que são chamados para uma entrevista sem dúvida são aqueles que já são sucesso de público. A exemplo, George Clooney, que foi palmeado pela turma do sereno do “tapete vermelho”. Charme, mesmo, foi o que propiciou Hellen Mirren, não só na entrada do auditório, mas quando se pronunciou, juntamente com Sidney Poitier, na homenagem da noite a Morgan Freeman, agraciado com o prêmio Cecil B. de Mille pela sua obra no cinema. O momento da entrada ao palco do veterano Poitier foi admirável: toda a platéia de pé, saudando-o. Belissimo tom de respeito a um ator que deve ter enfrentado discriminações no momento em que iniciou carreira na terra do cinema, Hollyood, que ainda era “politicamente incorreta” em relação aos negros & papéis nos filmes.

Outro momento que surprendeu foi quando Martin Scorcese foi chamado para receber o prêmio de melhor diretor por “A Invenção de Hugo Cabret” (2011). Respeito e admiração, também, na homenagem que recebeu.
Woody Allen foi o ganhador da estatueta de melhor roteiro para "Meia-Noite em Paris", competindo com "The Artist", de Michel Hazanavicius, "Os Descendentes", de Nat Faxon, Alexander Payne e Jim Rash, "Tudo pelo Poder", de George Clooney, e "O Homem Que Mudou o Jogo", de Stan Chervin, Aaron Sorkin e Steven Zaillian. Mas o cineasta não foi receber o prêmio nem mandou representante. Coisas do Woody.

Os premiados para o cinema, como forma de manter a informação aos meus leitores, além dos já indicados acima:
1)Filme Comédia ou Musical: The Artist; 2)Filme Drama: Os Descendentes/The Descendants; 3)Filme Estrangeiro: A Separation/A Separação (Irã); 4) Filme de Animação: The Adventures of Tintin/ As Aventuras de Tintin; 5) Atriz de Comédia: Michelle Williams por My Week With Marilyn/Uma Semana com Marilyn;6) Ator de Comédia: Jean Dujardin por The Artist; 7)Atriz de Drama: Meryl Streep por The Iron Lady; 8)Ator de Drama: George Clooney por The Descendants; 9)Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer por The Help/ Histórias Cruzadas; 10)Ator Coadjuvante: Christopher Plummer por Toda Forma de Amor/Beginners; 11)Diretor: Martin Scorsese por Hugo; 12)Roteirista: Woody Allen por Midnight in Paris/ Meia-Noite em Paris; 13)Música Original: Ludovic Bource por The Artist; 14)Canção Original: Masterpiece de W.E.

Em primeira mão, publico a lista dos críticos norte-americanos (IMDB) dos seus melhores, alguns coincidentes com os do Globo de Ouro. Vejam: Melhor filme: The Artist: Melhor Ator: George Clooney(Os Descendentes); Melhor atriz: Viola Davis (Histórias Cruzadas, 2011); Ator coadjuvante: Christopher Plummer(Toda Forma de Amor, 2010); Atriz coadjuvante: Octavia Spender (Histórias Cruzadas, 2011). Na animação, preferiram “Rango” e não “Tintin”. A direção coube a Michael Hazanavicius (The Artist); roteiro original , Woody Allen (Meia Noite em Paris, 2011); e o adaptado foi para os roteiiristas de “O Homem que Mudou o Jogo, 2011.
Sobre os premiados da tv, outro dia comento.  

(A foto acima é do elenco de "The Artist")

CINEMA DE ONTEM - O DVD NAS PARADAS


 O DVD testa a memória dos cinéfilos e dos chamados fãs de filmes antigos.
 O filme “Desde que Partiste”(Since You Went Away/EUA,1943, foto) é o típico exemplar do armamento moral dos norte-americanos que tiveram parentes convocados para lutar na Europa ou no Japão (2ª.Guerra Mundial). Dirigido por Clarence Brown focaliza a situação de uma esposa (Claudette Colbert) ao lado das filhas (Jennifer Jones e Shirley Temple) lamentando a partida do marido para o front e, para suportar a perda de recursos, aluga um quarto da casa para um velho coronel (Monty Wooley). Uma das filhas (Jones)apaixona-se por um jovem que também vai para a guerra (Robert Walker), só que neste caso ela sofre a perda do namorado. Ainda no elenco, como o tio das meninas, surge Joseph Cotten. Tudo girando em torno do esforço de guerra, do “bem servir à pátria”. Piegas e um pouco monótono, embora seja possivel assistí-lo até o final, o que se pode dizer dele é que em cortes necessários o tamanho seria reduzido sem recorrências desnecessárias.
Também do passado, mas com uma ingenuidade cativante ainda hoje é “Um Conto de Natal”(The Great Rupert/EUA,1950) da dupla George Pal & Irving Pichel, a mesma de “Destino à Lua”(realizado no mesmo ano). Jimmy Durante inperpreta um malabarista desempregado que se abriga com esposa e filha (Terry Moore, ainda bem jovem) na casa de um usurário que ao receber dinheiro guarda as notas no rodapé de uma parede de um aposento emparelhado ao dos abrigados. Um esquilo que servia a um número de teatro de outro artista circense também se abriga no lugar e, ao ver o dinheiro entrar no buraco onde se acomoda, joga tudo fora. Acontece uma chuva de dólares que todos pensam cair do céu.
Um filme menor muito simpático ainda hoje que não chegou a ser projetado nas telas grandes locais (e pelo que sei nem em outras brasileiras). O esquilo é um dos puppetoons, bonecos que deram fama a George Pal e levou-o da Hungria a Hollywood. O ruim é que a cópia do DVD está colorizada(o original é em preto e branco). Procure ver tirando a cor de sua TV.
Ainda no rol dos velhos cartazes, o interessante “Al Capone”(EUA/1959) de Richard Wilson com Rod Steiger. O famoso gangster ganhou várias biografias cinematográficas. A mais conhecida é “Scarface”(1932) de Howard Hawks (com Capone ainda vivo daí não ser dito o nome dele). Neste exemplar do diretor de “Convite a um Pistoleiro” há uma proposta didática focando Al desde que chega do Brooklyn a Chicago onde reinou a partir da venda de bebida na época da “lei seca”. Steiger compõe bem o tipo. Mas o filme não se aprofunda em nada: é um “reader’s digest” da trajetória do famoso bandido. Mesmo assim, ainda hoje se acompanha com interesse.
Antigo e descartável é “A Deusa do Amor”(One touch of Venus/EUA, 1948). Adaptado de um musical de S.J.Perelman e Ogeden Nash com base numa história de F. Anstein trata sobre o modo como uma estatua da deusa grega (Venus/ Ava Gardner) ganha vida e seduz o antiquário interpretado por Robert Walker. A direção é de William Seiter e Gregory LaCava colaborou sem crédito. Como Ava, que é a melhor figura em cena, não canta nem dança (nem os seus parceiros) o filme não se situa no gênero de onde veio. E nem serve como comédia romântica. Melhor seria ter ficado no passado que pode ter seduzido alguns fãs.

Como se vê, o bombardeio de cópias de filmes em DVD está explorando, hoje, um mercado bem específico e não se resume a copiar os lançamentos atuais que não chegam ao mercado, mas aqueles que tiveram fama e cujo público prefere o cinema doméstico a sala escura dos cinemas de rua (hoje de shopping). As imagens da memória, o cinema e a forma de digerir o que chega ao mercado estão interelacionados, sem sombra de dúvida.

CENTENÁRIO DO OLYMPIA & HOMENAGEM A MAZZAROPI


Cine Olympia

De 17 à 29/01/2012

Horário : 18:30 h

Entrada Franca

Livre

 MOSTRA:O CINEMA DE MAZZAROPI”

Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo, SP, em 09 de abril de 1912. Aos dezesseis anos foge de casa para ser assistente do faquir Ferri. Em 1940, monta o Circo Teatro Mazzaropi e cria a Companhia Teatro de Emergência. Em 1948 vai para a Rádio Tupi, onde estréia o programa Rancho Alegre. Em 1950, inaugura a televisão no Brasil e para lá leva seu programa, com estrondoso sucesso. Abílio Pereira de Almeida, então produtor e diretor da Vera Cruz, procura um tipo diferente e curioso para estrelar uma comédia. Quando vê Mazzaropi na televisão, não tem dúvida e contrata-o para atuar em SAI DA FRENTE (52). O sucesso popular é tanto que Mazzaropi acaba se dedicando praticamente ao cinema. Participa de oito filmes como ator contratado e, em 1958, funda a Pam Filmes, Produções Amacio Mazzaropi. A partir daí, passa a produzir e dirigir seus filmes, sendo sua primeira produção CHOFER DE PRAÇA, em que ele emprega todas as suas economias. Com o filme pronto, falta dinheiro para fazer as cópias. Pega seu carro e sai pelo interior a fora fazendo shows até conseguir arrecadar a quantia necessária. O filme estréia e faz muito sucesso. O pano de fundo de quase todos os seus filmes é sempre uma fazenda, primeiro emprestada e depois a sua própria, chamada Fazenda da Santa, onde monta seus estúdios. Ali atravessa sua mais fértil fase e produz seus melhores filmes como TRISTEZA DO JECA (61) e MEU JAPÃO BRASILEIRO (64). Com o tipo "JECA", o caipira de fala arrastada, tímido, mas cheio de malícia, arrasta multidões aos cinemas. Lança um filme por ano e sempre em 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, e no cine Art-Palácio, que ele adota para lançamento das películas, pois o dono do cinema foi o que mais lhe apoiara no início da carreira de produtor. Fica milionário e paralelamente produz leite também, sendo um dos maiores fornecedores da empresa Leites Paulista. No início dos anos 70 constrói novos estúdios e um hotel, também em Taubaté. Artista nato e empresário com muito tino comercial, é também desconfiado e solitário. Nunca se casa, mas tem um filho adotivo, Péricles, que o ajuda na produção dos filmes. Morre em 13 de junho de 1981, aos 69 anos de idade, vítima de câncer na medula, logo após iniciar sua 332 produção, JECA E A MARIA TROMBA HOMEM. Mazzaropi é sem dúvida o maior comediante do Cinema Brasileiro. Seu nome é sinônimo de sucesso e respeitado por todos, inclusive os críticos, que não gostam de seus filmes, mas se rendem ao seu talento. Construiu um estilo que será sempre imitado mais jamais superado. Como disse Paulo Emílio Salles Gomes, "O melhor dos filmes de Mazzaropi é ele mesmo". (Fonte: "Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro", de Antônio Leão da Silva Neto).

Filmes da Mostra:

“SAI DA FRENTE” – De 17 à 19/01/2012

Diretor: Abílio Pereira de Almeida/Elenco: Mazzaropi, Ludy Veloso, Leila Parisi

Ano: 1952/Gênero: Comédia

Sinopse : Ao fazer uma mudança de São Paulo para Santos, dono de um caminhão velho se envolve em contínuas e inúmeras confusões com burocratas, policiais, motoristas de carro e até mesmo uma partner de circo com quem sonha.

“CANDINHO”- De 20 à 22/01/2012

Diretor: Abílio Pereira de Almeida/Elenco: Mazzaropi, Ruth de Souza, Adoniram Barbosa

Ano: 1954/Gênero: Comédia

Sinopse:Um pobre caipira, apaixonado pela irmã de criação, abandona a fazenda do pai adotivo e tenta sobreviver em São Paulo, onde casualmente a encontra em uma boate suspeita. Ao lado de um companheiro de desventuras e de um velho mestre, retorna ao local de origem em busca de um tesouro que sua verdadeira mãe lhe deixara.

“JECA TATU” – De 24 à 26/01/2012

Diretor: Milton Amaral/Elenco: Mazzaropi, Geny Prado, Roberto Duval, Marlene França

Ano: 1959/Genêro : Comédia

Sinopse: Jeca é um roceiro que tem sua propriedade ameaçada pela ganância de um latifundiário.


“PORTUGAL..MINHA SAUDADE” – De 27 à 29/01/2012

Diretor: Mazzaropi/Elenco: Mazzaropi, Pepita Rodrigues, Fausto Rocha Jr.

Ano: 1973/Genêro : Comédia/Drama

Sinopse : Sabino, português de nascimento, radicado no Brasil desde criança, tem um irmão gêmeo residente em Lisboa, que escreve convidando-o a ir a Portugal. Sabino, muito pobre, vive na casa de um filho casado, de favor, mas esconde essa situação do irmão e vai levando sua vidinha em companhia da mulher, vendendo frutas em um carrinho nas ruas de São Paulo.

(ACCPA)

sábado, 14 de janeiro de 2012

MORTAIS COMBATES


A pesquisa sobre a forma de o cinema ter capturado a mitologia grega é uma aventura, haja vista adentrar em labirintos que podem ser mais fechados do que os de Creta. Mas, certamente, vai chegar a algo, embora perca a chance de ganhar um novo fio de lã salvador como o de Ariadne. Por que esse preâmbulo? Após assistir a um desses filmes cujo tema enreda a mitologia, sente-se vontade de mostrar a que isso veio, num cinema em 3D, no século XXI.
“Imortais”(Imortals/EUA, 2011) é mais uma contrafação em nome de deuses e heróis da Grécia antiga. O roteiro de Charles e Vlas Parlapanides (descendentes de gregos) é de uma ingenuidade que passa por sinônimo de pobreza. Detém-se na luta de Teseu (Henri Cavill) com o rei Hyperion (Mickey Rourke). O que mais se conhece do herói, a luta contra o minotauro, está em segundo (ou mais atrás) plano. Tampouco se trata da família de Teseu, de suas mulheres, de seus filhos, chegando a se dizer que ele era bastardo (e não filho de um rei). Mas qualquer aproximação mais séria com a riqueza do mito grego é mesmo “mera coincidência” (a lembrar àquelas vinhetas dos filmes usadas antigamente para livrar do real as idéias ficcionadas de quem escrevia as histórias).
Mas o cinema não tem, é verdade, obrigação de ser sempre fiel aos temas que aborda. Fosse assim e o abismo que o separa da literatura engoliria excelentes cineastas e obras que mereceram o titulo de clássicos. Esse, aliás, é um dos itens a que Julio Plaza (au tratar de arte-interatividade) se deteve para mostrar que qualquer adaptação de uma obra literária para um filme, consequentemente, se torna uma outra obra. Mas, quando tratado nesse escopo, diz-se que se quer é uma realização competente. E isto não se vê em “Imortais”. Quase todo filmado em CGI (recurso às imagens digitais geradas por computador) a narrativa é uma refém dos efeitos especiais. E o diretor indiano, Tarsem Dhandwar Singh, não quer se livrar dos computadores, mesmo quando o que enfoca é, por exemplo, a relação do herói com Phaedra (Frieda Pinto) ou a libertação dos titãs ou, ainda, a interferência dos deuses do Olimpo, estes relutantes em se intrometer em assuntos humanos até que a situação implique em ausência de tensão.
O modo de contar os fatos é tão relapso que se torna confuso. Os que ainda não leram a mitologia grega (ao menos algumas partes desta) e desconhecem quem foi Teseu (ou não leram, ao menos, o nosso escritor Monteiro Lobato que escreveu para as crianças “Os 12 Trabalhos de Hercules”) se perde na trama em que o herói grego exibe máscaras de torturado deprimentes para quem deixou muito a contar no rico veio mitológico do berço da civilização.
O melhor do filme, a meu ver, é o final quando se dá uma licença poética, vendo-se os guerreiros ascendendo no espaço com suas armas em punho. Por este quadro percebe-se que o cineasta tentou algumas vezes usar pinturas famosas para o seu “décor”, ou quis impregnar seu trabalho de certa pretensão estilista que supera a morosidade da ação como não é de praxe nos filmes comerciais do nível. Mas pode ser que se queira ver demais. Há filmes que nascem para um determinado publico e a observação de mudança de direção para outro tipo de público deve ser considerada um acidente (ou uma tendência de critica). Na verdade “Imortais” deve ser consumido como um blockbuster que usa a 3D para vender melhor. E a venda é a sua meta, ou o seu“fio de Ariadne”. Qualquer desvio dessa opção é acidental, ou produto da incapacidade da realização como material de venda fácil.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

OS MELHORES FILMES DOS LEITORES


Os leitores de Panorama (O Liberal) enviaram suas listas de filmes de 2011. Na contagem dos pontos, a relação final apresenta os 10 melhores. Na foto, Javier Barden, em "Biutiful", filme de Iñuarritu incluido na lista geral e que não esteve na lista dos críticos da ACCPA. Outro também nessa qualificação foi "Além da Vida".

Relação Geral
1.A Árvore da Vida - 83 pts.
2.Cisne Negro , e
Meia Noite em Paris –77 pts.
3.Melancolia –69 pts.
4 . A Pele Que Habito – 46 pts
5. O Discurso do Rei – 50 pts
6. Biutiful – 28 pts
7. Além da Vida – 27 pts
8. A Fita Branca – 23 pts.
9. Inverno na Alma – 22 pts.
(houve empate no 2º lugar) 

Alessandro Baia
1.A Árvore da Vida
2.Cisne Negro
3.Melancolia
4 -A Pele Que Habito
5.O Palhaço
6.Meia Noite em Paris
7.Em Um Mundo Melhor e Rango
8.Amor a Toda Prova
9.A Fita Branca
10.O Vencedor e Bravura Indômita

Alex Barata da Silva
1.  Árvore da Vida
2. O Vencedor
3. Cisne Negro
4. Meia- noite em Paris
5.Um Lugar Qualquer
6. Inverno da Alma
7. O Palhaço
8. Bravura Indomita
9. A pele que habito
10. Super-8


Maurício Borba
1. Meia Noite em Paris
2. Além da Vida
3. A Árvore da Vida
4. Melancholia
5. A Fita Branca
6. Bravura Indômita
7 Cisne Negro
8. O Discurso do Rei
9. Cópia Fiel
10. Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

Nelson Alexandre Johnston
1.A Árvore Da Vida;
2. Cisne Negro;
3. Melancholia;
4. Meia-Noite Em Paris;
5. A Pele Que Habito
6. Em Um Mundo Melhor;
7.O Discurso Do Rei
8
Tio Boomee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
9 .A Fita Branca
10. Minhas Mães e Meu Pai


Jeison Texican Castro Guimarães
1. A Árvore Da Vida;
2 .Cisne Negro
3 .O Discurso Do Rei;
4 .Biutiful;
5 .Meia-Noite Em Paris;
6 .Harry Potter E As Relíquias Da Morte - Parte 2
7 .Melancholia;
8
.A Pele Que Habito;
9 .Além Da Vida;
10. O Vencedor.

Edyr Falcão
1.Melancholia
2.Meia Noite em Paris
3.A Árvore da Vida
4.Cisne Negro
5.A Pele que Habito
6.A Fita Branca
7.Bravura Indômita
8.Biutiful
9.Cópia Fiel
10.Homens e Deuses

Ricardo Secco

1. Meia-noite em Paris
2. O Discurso do Rei
3. Cisne Negro
4. Além da vida
5. Rio
6. Melancholia
7. O garoto de Liverpool
8. A pele em que habito
9. O Palhaço
10. Bravura Indômita

Margarida Maria Da Cruz Xerfan
1.A Árvore da Vida
2."A Pele que Habito
3.Melancolia
4.Meia-Noite em Paris
5.A Fita Branca
6.Cisne Negro
7.O Discurso do Rei
8- Reencontrando A Felicidade
9.Inverno na Alma
10.Minhas Tardes com Margueritte * (só em DVD)

Francisca Valeska B. Falcão
1.A Pele que Habito
2.Melancholia
3.Biutiful
4.A Árvore da Vida
5.Homens e Deuses
6.Planeta dos macacos: A origem
7.Cisne Negro
8.O Discurso do Rei
9.Rango
10.Bravura Indômita

Orlando Sérgio F. de Campos

1. Melancholia
2. O Discurso do Rei
3. Um Lugar Qualquer
4. Biutiful
5. Cisne Negro
6. Namorados para sempre
7. Inverno da Alma
8. Em um mundo melhor
9. A Arvore da Vida
10. Rango

Edna Maria Do Couto Assis
1- 127 Horas
2- Inverno da Alma
3- Rango
4- Bravura Indomita
5- A Arvore da Vida
6- Copia Fiel
7- Homens e Deuses
8- Contra o Tempo
9- A Fita Branca
10- A Minha Versão do Amor

Arthur Dos Reis Costa
1.Meia Noite em Paris
2.Além da Vida
3.O Discurso do Rei
4.O Vencedor
5.Inverno da Alma
6.O Mágico
7.Em Um Mundo Melhor
8.Biautiful
9.A Arvore da Vida
1. 0- Cisne Negro

João Henrique Da Silva Souza
1.O Turista
2.Minhas Mães e Meu Pai
3.Amor à Toda Prova
4.Cisne Negro
5. Meia Noite em Paris
6.Super 8
7.O Preço do Amanhã
8.Contágio
9.O Discurso do Rei
10.127 Horas

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CONFLITOS DE AMOR


Esta semana assisti a alguns clássicos em DVD e outros nem tanto. Mas vale a referência visto que alguns nem chegam ao circuito de cinema, ficando, mesmo, no exemplar de tela pequena.
 “Conflitos de Amor” foi o título recebido nos cinemas brasileiros do original “La Ronde” do diretor Max Ophuls, com base num texto de Arthur Schmitzler. O filme é uma farsa comandada por um operador de carrossel que ao girar o brinquedo deixa circular diversos romances que têm como objetivo levar os pares ao leito. O veterano ator Anton Walbrook comanda o espetáculo. E ao longo do trajeto surgem nomes famosos do cinema europeu como Gérard Philippe, Simone Signoret, Serge Reggiani, Danielle Darrieux, Fernand Gravey, Simone Simon, Daniel Gélin, Odete Joyeux ,Isa Miranda, e Jean Louis Barrault.

Um trabalho típico de Ophuls, diretor vienense que era conhecido por orquestrar a sua linguagem como se estivesse “filmando uma valsa”. E é uma valsa de Oscar Strauss que pontua os encontros amorosos. O filme é um clássico autêntico de 1950.
Mas o título da coluna enseja pensar também em “Sonho de Amor”(Il Sogni del’Amore/Itália, 2009) de Luca Guadagnino. Aqui é o enfoque de uma família de alta riqueza de Milão que se desnuda a partir do enfoque da festa de aniversário do patriarca. Este anuncia que está deixando a sua indústria para o filho e o neto. A esposa do filho, de origem russa, não se contém com a ausência perene do marido. Acaba se apaixonando pelo melhor amigo do filho. E no meio tempo sabe que a única filha tem outra orientação sexual diferente da tradição familiar. Há tragicidade no final da história quando o herdeiro que poderia seguir os caminhos dos milionários sofre um acidente e sua mãe revela ao esposo a infidelidade. O final é operístico. Sem narrativa de forma linear como se via até então. É como se o cineasta quisesse evidenciar que o seu interesse se vale de observar a discrição de uma classe. Há quem lembre Visconti. Não é bem assim, pois a linha nos primeiros atos é francamente melodramática. Os que conhecem a obra de Douglas Sirk podem achar influência deste cineasta alemão que realizou filmes em Hollywood. Produção inédita nos cinemas locais apesar de seu grande potencial comercial.

“Um Conto Chinês” (Um Cuento Chino/Argentina, Espanha,2010) é excelente. Começa com uma cena de aparência surrealista (embora não seja assim pontuada): um casal troca juras de amor em um barco e, de um avião, cai uma vaca sobre a jovem namorada. Depois é focalizado um comerciante argentino que se apieda de um chinês que encontra no aeroporto (e só depois se sabe que é o par da jovem morta pela queda da vaca) e leva-o para a sua loja, onde também é a sua residência. A boa ação deve ser pouco tempo, mas o chinezinho não tem onde ficar. E o filme vai revelando o temperamento do argentino, suas manias, sua fuga de casos sentimentais a partir de uma desilusão amorosa. Mas o interessante é o modo como são construidas as situações a partir de tensões e contradições de personalidade onde o isolamento é responsável por sequelas de egoismo e aos poucos as culturas díspares conseguem falar a mesma língua.
Direção de Sebastian Borensztein. Outro filme de alto nível esquecido dos circuitos cinematográficos locais.

Ainda nos rol dos inéditos em tela grande está “Viagem”(Le Voyage em Douce/França, 1980) de Michel Deville. O enfoque é sobre duas amigas intimas que trocam confidências em uma viagem de recreio: Heléne(Dominique Sanda) e Lucie (Geraldine Chaplin). O roteiro original do próprio diretor privilegia as falas. Mas as atrizes são excelentes e conseguem manter a atenção do espectador com a ação limitada à paisagem. O teor erótico privilegiado não consegue diensionar convenientemente as personagens. Um filme curioso de um cineasta que surgiu no movimento “Nouvelle Vague”.
E “Minhas Tardes com Marguerithe” está sendo a sensação nas locadoras. Não deixem de assistir. Fiquei sensibilizada com o tema e o tratamento sobre a questão do idoso.