terça-feira, 24 de abril de 2018

CINEMA OLYMPIA: 106 ANOS

Cinema Olympia : 106 anos 


Nessa “onda” de idade & antiguidade circula a memória num contexto exemplar. Os “mais velhos” servem de testemunhos sobre um passado vivido em determinado contexto e os “mais novos”, mesmo que sejam vistos com uma baixa memória têm suas lembranças em referências desse contexto sobre o que “ouviram falar”.
O Cinema Olympia está na memoria histórica da cidade de Belém e apresenta esses dois aspectos. Mais velhos e mais novos sentem a sua presença. É o monumento/documento de uma época e testemunhou os fatos políticos e sociais da centenária Belém. Cada segmento tem sua lembrança sobre ele. Os que assistiram aos filmes exibidos desde sua criação possivelmente deixaram registros escritos. Aos demais cidadãos e cidadãs conviventes nos anos 30 ou 40 do século XX, ainda vivos, conferem na memória as atividades cinematográficas de seu tempo e a presença do Olympia.
Meu testemunho se conforta entre o reconhecimento da função exercida como cinema já na década de 50 e os registros históricos que levantei sobre a presença dele no meio social e político paraense desde o momento que foi criado.
Fases da história do cinema passaram em suas telas nos filmes de todas as nacionalidades. As tensões entre os grupos de Antonio Lemos e Lauro Sodré se transformaram em imagens documentais e registraram as ocorrências para os/as espectadores. E muito mais se torna em história desse cinema que é considerado o mais velho do Brasil, em funcionamento. Se não, também, entre os mais antigos do mundo.
Minha homenagem se dá neste registro. Cinema Olympia! Presente!


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

AS MÚLTIPLAS TRAVESSIAS NUM ESPAÇO


Kate Winslet em "Roda Gigante". 

O cinema de Woody Allen é marcado por uma teia cultural e de vivências pessoais favorecendo uma forma própria de autoria temática e estética de seus filmes. Da comédia às críticas traduzidas em sua formação nas várias épocas em que se alimentou de ideias familiares, religiosas institucionais e em sua própria tradução dessas culturas vividas, deslocaram-se para o seu “que fazer” no cinema. De certa forma, impossível dissocia-lo de uma série de eventualidades que ele apresenta no contexto de sua obra, embora ele negue essa visceralidade presente, a meu ver, em uma parte considerável de sua filmografia.
Seu mais recente filme exibido no Brasil (o atual, “A Rainy Day In New York”, está sem data de lançamento) – “Roda Gigante” (Wonder Wheel, EUA, 2017) – tem sido visto, por alguns, como repetitivo, por outros como (o seu primeiro) filme dramático e, assim, como muitas obras de autores que permanecem produtivos no cenário da realização, o filme tem recebido críticas favoráveis e desfavoráveis por ser tratado com os mesmos “sintomas” de outras obras do diretor. A crítica mais radical não se desloca tanto para a estrutura narrativa embora haja faíscas para tal, mas tende a abominar o diretor e sua obra pela denúncia que reaproximou a sua figura pública do pai que assediou sexualmente a filha menor confirmando as acusações anteriores.
Sobre o modus operandi de representação das personagens femininas, avalio os espectros da realização, atentando para aspectos do roteiro, da fotografia e da atuação dos atores (vivendo as suas personagens) nesse cenário.
A abertura do filme é feita numa sequência sobre Coney Island (Brooklyn, NY). De longe o visor da câmera detalha, à medida que circula, a ilha, a praia, as atrações variadas, vendedores ambulantes, o parque de diversões, as lojas e restaurantes. Recai nas pessoas que buscam locais para circular, enfim, foca na multidão de transeuntes com o narrador da história definindo o tempo e o espaço, no seu palco improvisado como salva-vidas da praia, Mickey (Justin Timberlake).
Aliás, esse personagem é também um pouco narrador da história e ao anunciar sua identidade aponta seu desejo de escrever... melodramas para o palco.
Deste reflexo, o filme entoa a máxima do que pretende apontar no percurso que vai dar no roteiro. É tempo de verão em Coney Island, nos anos 50, e o foco se dá no relacionamento entre um operador de carrossel e sua mulher que trabalha numa lanchonete, viventes numa casa com espaço reduzido, à sombra do parque; a mulher deste com sonhos de fugir daquele marasmo a dois vivendo, ainda, uma relação tumultuada com o filho excêntrico/piromaníaco. Agrega-se, desde a primeira sequência do filme, jovem que foge da máfia e cuja esperança de não sofrer violência espera encontrar na casa do pai, nas suas próprias condições de protetor paterno e chefe de família. Há o salva-vidas que circula nessa trama, justificando-se para o espectador por assumir um subemprego, com pretensão de ser um escritor melodramático. Essa trama geral, aparentemente simples, é construída com o reforço de elementos valorizados no cinema de Woody Allen, como a fotografia, a cor, os movimentos de câmera (que dão a entonação que um filme requer) e o desempenho dos atores.
As figuras femininas de Woody Allen têm alguns requisitos que expressam a sua cultura em termos do que é feminino e do que é masculino, mas não necessariamente em tratar essas duas categorias na perspectiva das teorias críticas da hierarquia de gênero. Trata-se de um enfoque com base numa relação marcada pela formação na cultura tradicional com seu modo próprio e patriarcal de ver as mulheres.
Em “Roda Gigante”, o empenho do diretor é apontar o sentido de uma tensão familiar em que duas mulheres de idades diferentes, disputam o amor de um homem. A Ginny de Kate Winslet (que vive com o segundo marido) e a sua enteada Carolina (Juno Temple) que havia se afastado do pai, mas precisa deste para proteger-se dos mafiosos a sua procura. Elas têm aspirações diferentes, mas esperam tocar as emoções do salva-vidas Mickey à sua maneira. A primeira, para sentir-se viva (casamento aos pedaços, subemprego) transferindo ao namorado o que lhe resta de afeto e, também, pela afinidade dele com a arte teatral, ela que aspirava seguir a carreira de atriz. A enteada, desejada pela idade e beleza, confere àquele triângulo um contraponto bélico na relação já iniciada entre a madrasta e o sedutor, a ponto de aquela criar armas para o enfrentamento (cf. o momento em que Ginny deve proteger a jovem de seus perseguidores mafiosos). Essa disputa amorosa, se leva a pensar em fantasias femininas, opera, na verdade, com a emblemática disposição de mudança de vida tanto de uma quanto da outra. E quebra-se no lado que se pensa mais forte. Em Ginny circulam os efeitos de como se deu a mudança de sua própria sorte. Nesse caso, veja-se em outros filmes de Allen, como a personagem Cecilia, de Mia Farrow, em “A Rosa Púrpura do Cairo”, quebrando as amarras da violência doméstica, e ao materializar o personagem do filme que assiste diariamente, foge do cotidiano constrangedor com o marido e segue com essa figura mítica até aonde der. E Cate Blanchett (Jasmine), em “Blue Jasmine”, que nas várias mudanças de classe e de posição social impostas pelas falcatruas do marido e das quais também participou sem ter consciência disso, deixa o campo das retomadas pela antiga posição e cria sua própria linguagem num banco de praça, solitária (neste caso, um médio plano, disponibilizando câmara e objeto, para captar a pequenez dela no ambiente), falando para alguém (aproximação da câmera) supostamente ao seu lado.
A tensão conflituosa, nos dramas vividos pelas personagens femininas, desses três filmes revela-se em roteiros cujos contornos estabelecem os meios para definir o que tende a ser as evidências significativas desses dramas. Os planos (uma forte acentuação nos enquadramentos), a fotografia, a cor, a música, favorecem o espetáculo cinematográfico traduzido na vivência do dia a dia de cada figura transformada em personagem objetivada.
Em “Roda Gigante” as evidências do drama de Ginny são fixadas em um tempo, cujos recortes de outros tempos passados traduzem a síntese do que se observa nas aspirações manifestas pela personagem. Tensão no casamento – o segundo marido – um homem rude que não a acompanha em seus ideais de viver o esplendor da atuação como atriz; tensão com o filho - não somente pela síndrome de incendiário dele, mas por se constituir num élan com as culpas que assimilou do primeiro casamento (cf. as conversas que a mãe tem com o filho sobre o pai dele; e na confissão ao namorado sobre esse episódio). Tensão com a enteada – a juventude, a beleza, o afeto do pai – na competição pelo amor de Mickey.
O trânsito, nesse enredo, se dá não só pelos diálogos que acompanham o processo, mas, principalmente, pela forma de a câmera ir atrás desses personagens, em closes onde a tensão deve se expressar nas máscaras próximas; em médio plano quando o ambiente necessita ser exposto e circulante porque operam integrados; em grande plano quando há necessidade de apontar para o isolamento, os lugares de encontro, os espaços em que os vazios da praia querem mostrar o vazio existencial em que Ginny se acha. As escolhas musicais repercutem nos apelos ao tempo próprio e àquele tempo da ação dramática. Composta na base do jazz dos anos 50, tende a caracterizar as tensões e emoções da hora.
Com a fotografia de Vittorio Storaro a exposição do que está em jogo na tensão familiar – nos bastidores muito mais do que na arena da relação entre os quatro integrantes – a luz e os enquadramentos necessários a personalizar tanto a dona de casa quanto a amante, traduz o ambiente teatral das cenas construídas por Ginny, marcando imagens nas quais ela expõe tanto a euforia de ter conseguido alguém que a ame (há uma luz intensa e o enquadramento da câmera sobre seu rosto), explora as atitudes de desinteresse pela agenda do marido - não só o diálogo sempre tenso entre eles, mas as reações (luz intensa) quando este tende a proteger a filha. As sombras da roda gigante sobre a moradia têm impacto no momento em que Ginny reconhece que está perdendo terreno para a enteada e procura vestir-se à caráter com sua antiga indumentária teatral.
O resultado é uma farsa que aquele grupo está experimentando no sentido de jogar suas cartas de desejos e decepções em situações irreversíveis.
O fecho sugere que a consequência dos atos (de todos) é refletir uma rotina dramática que o corifeu da história assume. Mas as duas últimas imagens, muito sugestivas, mostram o garoto piromaníaco, filho de Ginny, fazendo uma fogueira na praia deserta (baixa luminosidade e ênfase na fogueira). E um close dela, espelhando seu sofrimento de prosseguir como a mulher por conveniência em um cenário que odeia. O giro da roda gigante que repete amores e dores num cotidiano que, por suposto, pode mudar. Já mudou. 

Como a maioria dos filmes de Allen, este tem uma história pessoal por trás. Com base numa teoria crítica feminista as evidencias são notórias sobre o tratamento do cinema às figuras femininas (cf. Ann Kaplan, Laura Mulvey, entre outras). No caso de Alllen, sua obra, hoje, ficou marcada pelas denúncias de assédio à filha. Creio que é possível tratar da construção de suas figuras femininas pelo formato da cultura patriarcal que o acomete. A intolerância com a violência doméstica opera no rigor ao formato da construção da narrativa que aplica sobre as figuras femininas em sua obra. E é possível fazer isso. Não foi o meu caso neste momento. Gostei do filme. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

2017 - OS MELHORES FILMES DOS LEITORES DO BLOG



Dunkirk, o melhor filme do ano para os cinéfilos do blog e face

Remanescentes de uma tradição de quase 40 anos em coluna de jornal (dos 43 vividos), hoje, leitores do Blog da Luzia e amigos/as do Facebook, enviaram suas listas de melhores filmes de 2017. Num tempo em que a internet se mostra um elo de aproximação com as pessoas, essa tecnologia deixa a desejar uma prática tão interessante de alguns anos que eram as cartinhas recebidas de cinéfilos. Hoje, os e-mails, “posts” e as mensagens das redes sociais resumem a proximidade que é possível evocar sobre o fenômeno afetivo que as cartas proporcionavam. Mas o avanço é para ficar, não há retorno nessa emblemática “modernidade” que aproxima e identifica os contatos.
Este ano, 13 cinéfilos, alguns já cativos desta promoção, enviaram suas listas. Convém avaliar a distribuição dos filmes escolhidos, com alguns títulos integrantes da lista geral e individual da crítica de Belém. Na oportunidade, agradeço a persistência em manterem essa tradição mesmo longe do jornal impresso, mas presentes nas redes sociais.



Preciso informar, antes de passar às Listas individuais, que um dos cinéfilos do face, Carlos Lira, encaminhou sua lista em tempo hábil, contudo, por alguma razão, a “limpeza” sistemática que o msg faz eliminou-o da contagem final desta primeira versão. Hoje incluo a sua lista individual e apresento a versão da Lista geral com essa contribuição, considerando a justeza das minhas atitudes. Pelo que se pode avaliar, houve uma reorganização dos títulos, mas não mudanças mais drásticas em relação à lista geral. 

LISTA GERAL  - 1 
1)      Dunkirk (Christopher Nolan) – 45 pts.
2)      La La Land (Damien Chazelle) – 41 pts
3)      Manchester À Beira-Mar (Kenneth Lonergan) – 39pts
4)      Eu, Daniel Blake (Ken Loach) – 36 pts
5)      Moonlight (Barry Jenkins) – 34 pts
6)      A Criada (Park-Chan-Wook) – 32 pts.
7)      Blade Runner 2049(Denis Villeneuve) – 31 pts
8)      Afterimage – (Andrzej Wadja) – 26 pts;  e
           Elle (Paul Verhoeven) – 26pts
9)      Frantz (François Ozon) – 25 pts.

LISTA GERAL - 2 

1. Manchester À Beira-Mar (Kenneth Lonergan) – 49 pts
2. Dunkirk (Christopher Nolan) – 47 pts.
3. La La Land (Damien Chazelle) – 41 pts
4. Blade Runner 2049(Denis Villeneuve) – 40 pts
5. A Criada (Park-Chan-Wook) – 37 pts
6. Eu, Daniel Blake (Ken Loach) – 36 pts
7. Moonlight (Barry Jenkins) – 34 pts
8. Frantz (François Ozon) – 28 pts.
9. Elle (Paul Verhoeven) – 27pts
10. Afterimage – (Andrzej Wadja) – 26 pts.

Cena de "Manchester a Beira Mar".

LISTAS INDIVIDUAIS

CARLOS LIRA

1. Manchester à beira-mar 
2. Blade Runner 2049
3. Split
4. Personal Shopper
5. Na Praia a noite sozinha
6. A Criada
7. Ritmo de fuga
8. Frantz
9. Dunkirk
10. Elle

VALESKA FALCÃO
1 - La La Land
2 - Moonlight
3 - A Criada
4 - Fragmentado
5 - Invisível
6 - Logan
7 - Afterimagem
8 - Eu Não Sou Seu Negro
9 - Frantz
10 - Eu, Daniel Blake

EDYR JOSÉ FALCÃO JUNIOR

1 - Afterimage
2 - Fragmentado
3 - La La Land
4 - A Criada
5 - Moonlight
6 - Invisível
7 - Logan
8 - Eu, Daniel Blake
9 - Eu Não Sou Seu Negro
10 – Frantz

NELSON ALEXANDRE JOHNSTON

1- Blade Ruuner 2049;
2- Dunkirk;
3- La La Land;
4- Mãe!
5- Manchester À Beira-Mar;
6- Eu Não Sou Seu Negro;
7- Afterimage;
8- O Filme Da Minha Vida
9- Como Nossos Pais
10- Z: A Cidade Perdida

Jeison Texican Castro Guimarães

1- Estrelas Além Do Tempo;
2- A Criada;
3- Lion: Uma Jornada Para Casa;
4- O Filme Da Minha Vida;
5- Entre Irmãs;
6- Divinas Divas;
7- Moonlight: Sob A Luz Do Luar;
8- La La Land;
9- Blade Runner 2049;
10- Star Wars: Os Últimos Jedi.

ALEX BARATA DA SILVA

1. Elle   
2.  La la  land,
3. Manchester  a beira mar,
4. Deboche,
5. Logan,
6.  O filme  da minha vida,
7. Nem céu e nem terra,
8.   Outsider
9. Extraordinário 
10.  Malasartes e o Duelo  da Morte

MARGARIDA MARIA XERFAN

1- Dunkirk  (Christopher Nolan
2 - Moonlight (Barry Jenkins
3 - EU, DANIEL BLAKE (Ken Loach
4 - Elle (Paul Verhoeven
5 Manchester a Beira Mar (Kenneth Lonergan
6 - O APARTAMENTO (Asghar Farhadi
7 - Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve 
8 - Roda Gigante (Woody Allen
9 - LA LA LAND (Damien Chazelle
10 - O Filme da Minha Vida (Selton Mello

PAULO PAMPLONA FRAZÃO

1  Manchester à beira mar - K . Lonergan
2 Eu não sou seu negro-R. Peck
3 Mãe - D. Aronofski
4  Eu, Daniel Blake - Ken Loach
5  Frantz - F. Ozon
6  Dunkirk - C . Nolan
7  De canção em canção - T. Mallick
8   Afterimage- A . Wajda
9  Blade Runner - D. Villeneuve
10  o Filme de minha vida- S. Mello

ALESSANDRO BAIA
 1- Eu, Daniel Blake (Ken Loach
  2- Frantz (François Ozon
  3- Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve
  4- Um Filme de Cinema (Walter Carvalho
  5- Columbus (Kokonada
  6- Dunkirk (Christopher Nolan
  7- Amanhã (Mélanie Laurent e Cyril Dion
  8- A Morte de Luís XIV (Albert Serra
  9- Corra! (Jordan Peele
10-  Eu Não Sou Seu Negro (Raoul Peck 

ORLANDO SERGIO

1.Mãe! (Darren Aronofsky)
2.Manchester à Beira Mar (Kenneth Lonergan)
3.A Criada (Chan-wook Park)
4.O Apartamento (Asghar Farhadi)
5.Moonlight (Barry Jenkins)
6.Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve)
7.Patterson (Jim Jarmusch)
8.Eu, Daniel Blake (Ken Loach)
9.Dunkirk (Christopher Nolan)
10.Frantz (François Ozon)

CARLOS COSTA JUNIOR

1.Paterson
2.Elle
3.Martirio
4.Corra
5.Frantz
6.Afterimage
7.Eu,Daniel Blake
8.Dunkirk
9.Na Praia a noite sozinha
10.Gabriel e a Montanha.

JOÃO LISBOA

1.      Corra!
2.      Na Praia a noite sozinha
3.      Como nossos pais
4.      Estrelas Além do Tempo
5.      Vida
6.      O Que Está Por Vir
7.      Star War: O último Jedi
8.      Bingo
9.      O Apartamento
10.    Dunkirk

ALFREDO LEÃO
1.Vida
2. O Filme da minha vida
3. Bingo
4. Star Wars: Os Últimos Jedi
5. Logan
6. Fragmentado
7. Eu não sou teu Negro
8. Invisível
9. Como nossos pais
10. Mãe!

PAULO JOSÉ VIANA
1.      Bingo
2.      Paterson
3.      Z: A Cidade Perdida
4.      A tartaruga Vermelha
5.      Como nossos pais
6.      Extraordinário
7.      Um filme  de cinema
8.      Mãe!
9.      Vida
10.    La La Land



sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

INGMAR BERGMAN E O CINEMA REFLEXIVO



Quando as Mulheres Esperam (Suécia, 1952) 

Nos anos sessenta conheci o cinema de Ingmar Bergman (1918-2007). Os primeiros filmes que assisti dele: “Quando as Mulheres Esperam” (Suécia, 1952), “No Limiar da Vida” (Suécia, 1958) e “O Silêncio” (Suécia, 1963). Nesses três filmes, o que emergia de suas imagens e da narrativa tão simples que ele traduzia em discussão de cotidianos de homens e mulheres em várias circunstâncias, chamou a minha atenção e me envolveu visceralmente. O resultado disso foi reconhecer que a cada filme desse diretor uma maneira singular de vida se produzia em meio a inúmeras circunstâncias. Isso me fez reconhecer que, ao longo de todas as suas fases criativas de imagens para o cinema uma parte significativa de suas versões se detinha na situação das mulheres. Não de todas, mas daquelas que se faziam próximas de si, as europeias, brancas, a maioria letrada e de classe social média ou alta, definida pela linha do enredo, e se da zona rural ou urbana.
A tradução dessa linha de convergência de sua argumentação mantinha-se, contudo, nas instituições, na forma de estas focarem questões fundantes da vida humana, favorecendo uma repercussão mundial. A exemplo, a sociedade, o casamento, a religião, o Estado, a família etc. Ou seja, tudo o que se detém em modelos instituídos. Nesses ele revolve e desfaz as certezas que possam estar subjacentes.
O imperativo de Bergman – para mim um fator dos mais importantes do processo reflexivo no cinema – é a transferência de cenas do cotidiano numa sensível mostra de incertezas, usando uma narrativa simples sem simbologias, mas direta. No cinema desse autor (daí a sua infinitude criativa) – o tom dramático e emocional de um enredo traduz-se numa argumentação que pode ser uma possibilidade ou não. Tratando de alguns desses vê-se a subjetivação movimentar a câmera e/ou manter-se num plano próximo, ou médio ou geral. Incidem sobre o que espera demonstrar a narrativa simples e direta.
É o caso de “Quando as Mulheres Esperam”, cujo o foco traduz-se em conversas entre quatro mulheres casadas com quatro irmãos, estes a caminho do local onde as famílias passarão as férias. Uma série de relatos individuais, com desabafo de fatos do cotidiano vão traçando formatos do relacionamento entre elas, expondo a maneira de organizarem a vida do jeito que então se mantêm naquela ambiência e parentesco. Casa de campo, paisagens da propriedade, com recortes em planos médios, mas utilizando, inicialmente, planos próximos para captar o contato entre as cunhadas, favorecem a construção psicológica das personagens, evidenciando esse movimento de câmera para que o espectador avalie, nas histórias contadas, os dramas matrimoniais, e se afaste e circule pela casa quando o filme finaliza em planos gerais não sem antes mostrar um momento de diversão com toda a família.
Bergman foca sobre as histórias de mulheres casadas expondo os sentimentos que emergem em versão conservadora ou mais liberal conferindo essa argumentação aos laços humanos entre elas e os maridos. São relatos internos que ao tempo em que escancaram a intimidade das vivências apontam um vazio existencial que as envolve num ciclo social opressivo, as vezes conveniente, intentando que a vida que levam seja mais suportável.
E Bergman segue seu ritmo como criador de uma outra história do cinema por sua maneira de ver as pessoas, as instituições opressoras e a arte convertida em possibilidade de fugir da opressão. Os conflitos que ele aponta a partir da linguagem que adota para mostrar, por exemplo, a simplicidade da trama que engendra para evidenciar o horror da religião sobre uma criança, ou uma mulher, ou um homem, ou alguém que busca conhecer a Morte, ganham importância no interior de cada filme seu. Quais conflitos? Como resolvê-los? Não há respostas visto que o gran finale de seus filmes repercute em divergências paradoxais em suas especificidades. É a irreverência. É a incerteza. Não há respostas. Só questionamentos.
Esse é o Ingmar Bergman que a cada obra inventa uma maneira de ver a vida. Esse é o maestro da reflexão. Seu cinema investiga com amor e simplicidade o comportamento humano.
Ingmar Bergman, 100 anos! Presente!




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

MELHORES FILMES DE 2017 - MEMBROS DA ACCPA

Membros da ACCPA na escolha dos melhores filmes de 2017 

Reunidos na noite do último dia 20/12, os membros da ACCPA participaram de mais uma escolha de melhores filmes exibidos em Belém, este ano de 2017, no circuito comercial e no extra.
Estiveram presentes: Arnaldo Prado Jr., Marco Antonio Moreira, Dedé Mesquita, José Otávio Pinto, Ismaelino Pinto, Vicente Franz Cecim, Pedro Veriano, Fernando Segtovich, Francisco Cardoso e Luzia Álvares. Enviaram suas listas: José Augusto Pacheco e Lorena Montenegro. Dessa forma, as listas individuais foram registradas e compuseram a seleção final de filmes e demais categorias.

PEDRO VERIANO
1. Manchester a Beira Mar (Kenneth Lonergan)
2. Afterimage (Andrzej Wajda)
3. Dunkirk (Christopher Nolan
4. Vida (Daniel Espinosa)
5. Elle (Paul Vehoeven)
6. Mãe (Darren Aranoviky)
7. Corra! (Jordan Peele)
8. Bingo, O Rei das Manhãs (Daniel Rezende)
9. Frantz (François Ozon)
10. Moonlight (Barry Jenkins)

MARCO ANTONIO MOREIRA
1. De Canção em Canção (Terrence Malick)
2. Na Praia a noite Sozinha (Hong Sang-soo)
3. Um Filme de Cinema (Walter Carvalho)
4. Frantz (François Ozon)
5. O Apartamento (Asghar Farhadi)
6. Patterson (Jim Jarmush)
7. Eu não sou seu Negro (Raoul Peck)
8. Afterimage (Andrzej Wajda)
9. Belos Sonhos (Marco Bellocchio)
10. Pendular (Julia Murat)

FERNANDO SEGTOWICK
1.Corra! (Jordan Peele)
2.Moonlight – Sob a Luz do Luar((Barry Jenkins)
3.Fragmentado (M. Night Shyamalan)
4.Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve)
5.Logan (James Mangold)
6.Na Praia a noite Sozinha (Hong Sang-soo)
7.Gabriel e a Montanha (Fellipe Gamarano Barbosa)
8.Eu Não Sou Seu Negro (Raoul Peck)
9.Paterson (Jim Jamurch)
10. Martírio (Vincent Carelli)

VICENTE CECIM
1. Paterson (Jim Jamurch)
2. A Tartaruga Vermelha(Michael Dudok)
3. Belos Sonhos (Marco Bellocchio)
4. De Canção em Canção (Terrence Malick)
5. Manchester à Beira Mar  (Kenneth Lonergan)
6. As Confissões (Roberto Andò)
7. Frantz (François Ozon)
8. A Morte de Luís XIV (ALbert Serra)
9. Eu, Olga Hepnarová! (Petr Kazda, Tomás Weinreb)

ARNALDO PRADO JR.
1.De Canção em Canção (Terrence Malick)
2.Na Praia à Noite Sozinha (Hong Sangsoo)
3.Paterson (Jim Jarmusck)
4.Columbus (Kogonada)
5.O Cidadão Ilustre (Mariano Cohn e Gastón Duprat)
6.Frantz (François Ozon)
7.Afterimage (Andrzej Wajda)
8.Dunkirk (Christopher  Nolan)
9.Mãe! (Darren Aronofsrky)
10.A Cidade Perdida de Z (James Gray)
11.Life: Vida Inteligente (Daniel Espinosa)

JOSÉ OTÁVIO PINTO
1.Paterson (Jim Jarmusch)
3. Elle (Paul Vehoeven)
4. Eu não Sou Seu Negro (Raoul Peck)
5. David Lynch – a vida de um artista (Jon Nguyen, Olivia Neergaard-Holm, Rick Barnes)
6. Z – A Cidade Perdida (James Gray)
7. Invisível (Pablo Giorgelli)
8. Pendular ( Júlia Murat)

FRANCISCO CARDOSO
1. Frantz (François Ozon)
2. Afterimage – Andrzej Wadja
3. Eu, Daniel Blake – Ken Loach
4. Paterson – Jim Jarmusch
5. O Apartamento – Asghar Farhadi
6. A Criada – Chan-wook Park
7. Como nossos pais – Laís Bodanzky
8. Um Instante de Amor – Nicole Garcia
9. Manchester à beira mar (Kenneth Lonergan)
10. Elle (Paul Verhoeven)

ISMAELINO PINTO
1.Eu, Daniel Blake (Ken Loach)
2.Corra! (Jordan Peel)
3.Dunkirk (Christopher Nolan)
4.A Criada (Park Chan-wook)
5.Paterson (Jim Jarmush)
6. Elle (Paul Verhoeven)
7.Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve)
8.Mãe! (Darren Aronofsky)
9. La la land (Damien Chazelle)
10. Silêncio (Martin Scorcese)

DEDÉ MESQUITA
1. Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve)
2. Dunkirk (Christopher Nolan)
3. Eu, Daniel Blake (Ken Loach)
4. Corra! (Jordan Peele)
5. Fragmentado (M. Night Shyamalan)
6. Logan (James Mangold)
7. Baby Driver – Em Ritmo de Fuga (Edgar Wright)
8. A Criada (Park Chan-wook)
9. Paterson (Jim Jarmush)
10. La La Land (Damien Chazelle)

JOSÉ AUGUSTO PACHECO
1 Dunkirk (Christopher Nolan)
2 Mãe! (Darren Aronofsky)
3  A Morte de Luís XIV (ALbert Serra)
4 Silêncio (Martin Scorsese)
5 Blade Runner 2049 (Dennis Villeneuve)
6 A Transformação do Mundo através da Música (Werner Herzog)
7 Paterson (Jim Jarmush)
8  Manchester À Beira-Mar (Kenneth Lonergan)
9 A Tartaruga Vermelha (Michael Dudok)
10  Um Filme de Cinema (Walter Carvalho)

LORENA MONTENEGRO
1) Corra! (Jordan Peele)
2) Dunkirk (Christopher Nolan)
3)  Moonlight (Barry Jenkins)
4) Blade Runner 2049(Denis Villeneuve)
5) Eu Não Sou Seu Negro (Raoul Peck)
6) Baby Driver (Edgar Wright)
7)  Pendular (Julia Murat)
8) Paterson (Jim Jarmusch
9) A Criada (Park-Chan-Wook)
10) Logan, de James Mangold e Os Últimos Jedi (Rian Jonhson)

LISTA GERAL
ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ (ACCPA)
MELHORES DO CINEMA EM 2017
Adam Drivver em "Paterson"

1) Paterson (66 pontos)
2) Dunkirk (53 pontos)
3) Corra! (40 pontos)
4) Eu, Daniel Blake e Blade Runner 2049 (34 pontos)
6) Afterimage (32 pontos)
7) Frantz (31 pontos)
8) De Canção em Canção (27 pontos)
9) Manchester à Beira Mar e Elle (25 pontos)


CATEGORIAS
Melhor diretor: Jim Jarmush (Paterson) e Terrence Malick (De Canção em Canção)
Melhor ator: Casey Afleck (Manchester à Beira Mar)
Melhor atriz: Isabelle Huppert (Elle)
Melhor ator coadjuvante: Lucas Hedje (Manchester à Beira Mar)
Melhor atriz coadjuvante: Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer (Estrelas além do Tempo), Michelle Pfeiffer (Mãe) e Berenice Bejo (Belos Sonhos).
Melhor direção de arte: "A Criada".
Melhor montagem: "Dunkirk".
Melhor fotografia: "Blade Runner 2049".
Melhor Roteiro Original: "Paterson", "Fragmentado" e "Manchester à Beira Mar".
Melhor Roteiro Adaptado: "Frantz".
Melhor Trilha Sonora: "La La Land"
Melhor Canção Original: "City of Stars" e "Mia and Sebastian" (La La Land).
Melhor figurino: "A Criada".
Melhor animação: "A Tartaruga Vermelha".
Melhor documentário: "Eu não sou seu Negro".
Melhor Efeitos Especiais: "Blade Runner 2049".

MENÇÕES ESPECIAIS:
•       I Mostra de Filmes Etnográficos do Pará;
•       Programação do Cine Líbero Luxardo;
•       Homenagem póstuma para Francis Vale e Antonio Munhoz Lopes