sábado, 8 de janeiro de 2022

UM TEMPO QUE ESTÁ PARTINDO...

 

Sidney Poitier 

No dia 7 de janeiro 2022, sexta feira, o cinema norte americano perdeu dois ídolos que circulavam no nosso meio – Sidney Poitier (94 anos) e Peter Bogdanovich (82 anos).

SIDNEY POITIER marcou a história do cinema de uma época ao receber o Oscar de Melhor Ator, em 1963, por seu desempenho em 'Uma Voz nas Sombras' (1963), sendo o primeiro ator negro a ganhar a estatueta. Seu personagem tem a ver com o sentimento de solidariedade às freiras de um convento e a representação que se evidencia sobre união e fé que elas consideram um milagre. Outros filmes dele, “'No Calor da Noite' (1967) e “Adivinhe Quem vem Para Jantar' (1967), também fizeram grande sucesso, e tematizaram a questão do racismo, e pasmem, foram filmes indicados pela Academia em várias categorias. Sua leveza ao personificar as figuras que ameaçavam os brancos deu ao ator a imagem de um líder.

Mas é “Ao mestre, com Carinho” (1967) que deixa no público adolescente a marca daquele professor que convive com os alunos de uma escola pública, sem as agressões a que estes vivenciavam no cotidiano. E a canção “To sir, with love” cantada por Lulu foi sucesso nas paradas musicais norte americanas.

PETER BOGDANOVICH foi a outra figura que partiu hoje, aos 82 anos, diretor que fez parte de uma geração vista como renovadora das produções de Hollywood, ao lado de outros nomes como Martin Scorsese, George Lucas, Steven Spielberg, Brian De Palma, Francis Ford Coppola e outros.

Seu filme de 1972, “A última sessão de cinema' foi indicado a dois Oscars - de melhor direção e melhor roteiro – sendo considerado, pela revista "Newsweek" como "o mais impressionante trabalho de um jovem diretor americano desde 'Cidadão Kane".

Dedicou-se também à pesquisa e à história das obras de Alfred Hitchcock, Orson Welles e outros.

Outros filmes: “Lua de papel'(1973), "Na mira da morte" (1968) e "O tatuado" (1979). Seus últimos trabalhos: "Um amor a cada esquina" (2014) e "The Great Buster" (2018), um documentário sobre o ator da comédia muda, Buster Keaton.

Essas partidas deixam marcas de saudade na minha geração de cinéfilos porque essas figuras do cinema reconhecidas como ícones de um tempo, deixaram de ser vistas como deviam. A memória sobre a obra deles nos deixa tristes porque em cada partida dessas partimos também.

 

 Peter Bogdanovich

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

AS MULHERES ATRÁS DAS CÂMERAS E SEUS TEMAS DE CRÍTICA SOCIAL -1

 

Este ano de 2021 minha lista de melhores filmes registrou a obra de três diretoras: Jane Campion (Ataque dos Cães, 2021), Chloé Zhao (Nomadland, 2020) e Emerald Fennell (Bela Vingança, 2020). Neste texto, esboço algumas evidências sobre os temas escolhidos por elas, demonstrativos de como a arte que assumiram pode ousar explorar tensos temas atuais através das imagens. Jane Campion inicia minha argumentação.

Em “Ataque dos Cães”, o foco principal trata, a meu ver, da diversidade humana e das representações que o cinema realiza em torno de figuras tradicionais masculinas num ambiente onde as mulheres transitam nos serviços domésticos mesmo em ambientes públicos (restaurantes, a ex.). Trata sobre a masculinidade.

Os/as espectadores/as criaram no imaginário a figura do “cowboy” construída em filmes de diretores como John Ford, Sam Peckinpah, Sergio Leone, Clint Eastwood (para citar os mais conhecidos), nos chamados westerns, ou, popularmente, nos "filmes de faroeste", cujo gênero clássico pode ser classificado nas estratégias de produção e comercialização do cinema norte-americano. Jane Campion foge ao padrão, ao mostrar outros tipos: um que se incorpora na tradição do “machão”, outro cuja figura se empenha no formato gestual e elegante, inclusive na forma cortês de tratar a todos, e outro, um jovem que não se enquadra em nenhum desses tipos, dócil e sensível. Nas atitudes de chacota que Phil Burbank (Benedict Cumberbatch) estimula em seus companheiros de jornada na fazenda da família a esse jovem, Peter Gordon ( Kodi Smit-McPhee), filho da dona do restaurante, Rose (Kirsten Dunst), evidencia-se que naquele ambiente outro tipo masculino não se enquadra fora da tradição do macho cowboy, e esse aspecto aponta para o processo de desconsiderar o “diferente” naquele meio social em que se destaca o tipo de “homem de verdade”. Nessas três representações, a magnitude da contextualização reserva a crítica aos personagens em que Jane Campion centra a sua oportunidade de aproveitar-se dessa construção para o desenvolvimento de características diversas sobre o “ser masculino” tradicional, favorecendo o olhar do público para o exame crítico sobre o imaginário construído e recorrente pelo cinema, com uma só figura essencialmente significativa nas relações de gênero, principalmente no faroeste.

São homens sem sentimentos? É possível classificá-los? E nesse aspecto, a recorrência a alguns detalhes emergem na narrativa (e que devem ser examinados pelo público) apontando para a subjacência das emoções desses três personagens, cada um satisfazendo ou ocultando o verdadeiro sentido desse tempo de introspecção psicológica, sentimental, íntima, do ser humano. Dinâmica rítmica favorecida pela formatação das sequências ativando a escolha de planos com imagens decisivas para o momento certo. As descobertas da afinidade entre os diferentes - o machão e o dócil – apresentam-se num plano pouco evidente, mas é esse o momento que aponta as ousadias do jovem Peter em aproximar-se de Bill. Pode-se, inclusive, apontar, nessa sequência, um aspecto de “voyeurismo” emitente da maior aproximação entre Peter e Bill, quando o primeiro reconhece a origem do amargor que domina Bill que passa a tratá-lo de forma menos hostil. Aprendizagem, confronto, aceitação vigoram agora no novo círculo construído.

“Ataque dos Cães” foi adaptado do livro “The Power of the Dog”, de Thomas Savage, lançado em 1967, escritor de excelência no gênero literário. Somente agora transformou-se em projeto de cinema pelas mãos de Jane Campion. Que revolucionou o tipo do cowboy, desmistificando-o.





segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O CINEMA, EM MAIS UM ANO DE ISOLAMENTO - 2021

 

Anualmente, a ACCPA, ou Associação de Críticos de Cinema do Pará, organiza a lista individual de seus/as associados/as e apresenta uma relação geral, extraída da pontuação (10 a 1) dada a cada menção feita nas listas encaminhadas e já enumeradas. Uma prática de mais de 50 anos. As reuniões presenciais tinham o seu valor porque o convívio naquele único dia de “eleição dos melhores filmes”, como se dizia, era marcado pelas histórias particulares de cada um/a e se juntavam, em brincadeiras, sorteios, jantar e, as vezes, muitas tensões sobre episódios variados, além de um filme não votado ou que deveria estar na lista e não conseguira os pontos para chegar à final. Era isso. Hoje, com o isolamento social e a preocupação com a aglomeração devido ao período pandêmico, as listas individuais vem como sempre, pelo e-mail- quando essa ferramenta definiu uma outra forma de comunicação (antes, cada membro da APCC levava a sua lista manuscrita ou datilografada e entregava ao eterno secretário, o querido Edvaldo Martins). Somente sete membros da associação enviaram a relação individual, neste 2021. Os antigos secretários, após o Didi Martins (Arnaldo Prado Jr., Francisco Cardoso), não estiveram à frente dessa contagem, feita este ano por Pedro Veriano, Marco Antonio e eu.

Hoje eu ia tratar de outras situações do cinema no isolamento, mas prefiro apresentar a minha lista de melhores do ano, desejando que fosse alargada para 15 títulos entrando outros filmes. Vou deixar para um próximo momento essas várias facetas do cinema que aprendi num tempo sem tempo. Desejo a todas/os/es amigos do Face, uma grande força para realmente mudar a cara desse novo ano.

2022! FORÇA, ESPERANÇA, OUSADIA E FÉ!

MELHORES FILMES   2021

LUZIA ÁLVARES

1.    Ataque dos Cães (Jane Campion, Austrália, Canadá, EUA, Nova Zelândia, Reino Unido e Irlanda do Norte, 2021)

2.    Nomadland, de (Chloé Zhao, EUA, 2020)
3.    Judas e o Messias Negro (Shaka King, EUA, 2021)
4.    Cry Macho (Clint Eastwood, EUA, 2021)
5.    Benedetta (Paul Verhoeven, França/Holanda, 2021)
6.    Meu Pai (Florian Zeller, franco-britânica, 2020)
7.    Bela Vingança (Emerald Fennell, Reino Unido, 2020)
8.    Nós duas (Filippo Meneghetti, França, 2019, no cinema 2021)
9.    Tempo (M. Night Shyamalan, EUA, 2021)
10. Marighela (Wagner Moura, Brasil, 2019)

 OUTROS FILMES PARA A LISTA

 

11. Druck (Thomas Vinterberg, Dinamarca, 2020)

12. Pieces of a Woman (Kornél Mundruczó, EUA, 2020)

13. A Mão de Deus, (Paolo Sorrentino ,Itália, 2021)

14. Quo Vadis, Aida? (Jasmila Zbanic, Áustria, 2021)

15. Madres Paralelas (Pedro Almodovar, Espanha, 2021

 

OUTRAS CATEGORIAS


Diretora: Jane Campion (Ataque dos Cães)

Ator: Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)

Atriz: Frances McDormand (Nomadland)

Ator Coadjuvante: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)

Atriz Coadjuvante: Charlotte Rampling (Benedetta)

Roteiro Adaptado: Nomadland

Roteiro Original: Bela Vingança

Edição: Bela Vingança

Desenho de Produção: (“Benedetta”)

Fotografia: “Benedetta”

Figurinos: “Benedetta

 Animação (curta) - Se Algo Acontecer… Te Amo (animação), 12 min. de Michael Govier, Will McCormack (EUA, 2020)

Animação (longa) - Luca (EUA, 2021)

Documentário - Elas na Ciência (Picture A Scientist, de Ian Cheney, EUA, 2020)

 


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

A DIGNIDADE DE UMA VELHA DAMA








Adaptado de um conto de Berthold Brecht “La Vielle Dame Indigne” (França,1965) é o primeiro longa-metragem do diretor René Allio(1924-1995). Como filho de Marseille ele filma a sua terra atendendo ao que lhe pedem as emoções mostrando como uma cidade muda de aspecto na medida em que a principal personagem da história resolve mudar de vida.
Mme. Bertini (Silvye) ou Berthe, como é chamada, é uma mulher de idade avançada. Na primeira sequência do filme a câmera capta momentos angustiantes que ela está vivendo, na cabeceira do marido nos últimos momentos de vida. No processo que se traduz como os preparativos dos funerais do velho senhor, Berthe é cercada pelos filhos que desejam orientá-la. Mas ela se rebela. Prefere viver só, na casa onde morava antes. Resolve viver a vida que lhe resta de uma forma independente. E acompanhando as imagens que refletem o seu caminhar pelas ruas e lojas vê-se, não só a sua postura que evidencia surpresa pelas coisas que observa, mas, também, aos poucos, seu rosto se ilumina e ela vai aprendendo a sorrir; seguindo-se o percurso que faz pelas ruas e, por onde passa, a câmera envolve também a mudança de ambiente que está em reconstrução.
Berthe aparenta ter mais de 70 anos. É mostrada num curso de vida desde a viuvez e os seus novos relacionamentos e descobertas durante 18 meses. Há uma cena chocante para quem tem outro olhar sobre certas circunstâncias de mulheres casadas nessa faixa etária: a atitude de Berthe diante do cadáver do marido. Antes de comunicar a qualquer pessoa o triste evento, avidamente, investiga os bolsos dele, de lá tirando o dinheiro que encontra e escondendo-o sob a blusa. Daí em diante, a situação do enterro, a presença da família questionando com quem ela iria ficar, a decisão sobre a venda da casa, enfim, os filhos definindo, de forma aleatória, o curso de vida que ela deveria ter daí em diante, desconsiderando a sua opinião. Mas seu propósito será outro, afastando-se dos filhos e construindo seu grupo de sociabilidade composto de uma prostituta e o namorado desta, vendendo a casa e os móveis, passeando no shopping e fazendo o que não deve ter feito antes, quando casada: olhar a louçaria, as panelas nos shoppings e...tomar um sorvete num banco de bar.
O filme não só ganha mais luz como a direção de arte especifica as transformações físicas da cidade, as ruas e prédios que traduzem a modernidade até então desconhecida pela senhora Berthe, presa ao velho sistema patriarcal.
Bretch propunha, justamente, o encontro social aliado ao íntimo. O roteiro de Allio com Gérard Pollican apega-se aos elementos de linguagem, seja a cenografia seja a edição (Sophie Cousein) seja a iluminação (fotografia de Denis Clerval) e, sobretudo, o desempenho de Silvye (1883-1970) exibindo a postura da idosa na expressão corporal, salientando seu semblante que vai gradativamente se iluminando (chegando ao sorriso) quando acha um mundo que desconhecia embora pressentisse existir fora do lar. Isso e a canção de Jean Frerrat que acompanha a história de forma descritiva.
Allio acompanha Sylvie pelas ruas de Marseille em travellings memoráveis, ressaltando nessas tomadas as transformações que se passam no ambiente (e na personagem Bertini). O movimento de câmera não é gratuito ou excessivo. Há um apoio sistemático da necessidade de narrativa, pretendendo sempre alcançar a difícil posição de um drama introspectivo que o escritor (Bretch) traduziu em palavras (e entra aí o difícil processo de transformar em imagens o que se escreve em muitas vezes poucas linhas).
O filme emociona e, como tal, pode gerar uma licença crítica de quem o vê. Mas em constantes revisões percebe-se o ganho de René Allio na sua estreia por trás das câmeras. Foi também o seu primeiro roteiro para longa-metragem. Fez cinema até 1991.
Mas a ideia de apresentar um tema fascinante sobre mulheres idosas, formadas em um sistema patriarcal que definia a vida delas é fascinante. Principalmente nos dias atuais.
Vivamos a independência, mulheres de todas as idades! Vamos à luta por nossa liberdade!


terça-feira, 18 de junho de 2019


O PARAENSE É UFANISTA?
Francisco Guzzo Junior
(médico)
Diria sem pestanejar ... na imensa maioria, com certeza, sim. Outros diriam: -Égua! Será?
Há histórias hilárias contadas e recontadas, que insistem em dizer que sim. Para ficar só numa, lembro daquela que ensina como identificar, na chegada de um voo, se há ou não os “papa chibés”. E a resposta é que nem o crediário daquela loja... fácil, fácil: você olha a esteira de bagagens e a densidade paroara está diretamente proporcional ao número de geladeiras de isopor desembarcadas. Afinal, temos sempre que levar, independente para onde se vai: açaí, filhote, tapioca, farinha, cupuaçu, tucupi... Esse orgulho de nossas riquezas e a necessidade de demonstrar esse amor é muito bonito de se ver.
Caso você seja mais um, que se enquadre nesta legião dos tomadores de açaí e dançadores de carimbó, e que faz questão de dizer a plenos pulmões que é de um país que se chama Pará, como disse o poeta, tenho que lhe passar um convite e uma obrigação.
Vamos começar pelo começo, para deixar tudo bem explicado:
Por ocasião do último festival Pan- Amazônico de Cinema – Amazônia Doc 5 - fui ao encerramento, no Teatro Maria Sílvia Nunes, confesso, que apenas motivado, por ser a titular deste espaço, D. Luzia Álvares, a principal homenageada da noite. Preciso esclarecer, que inegavelmente ela é possuidora de diversas virtudes, todas muito significativas e merecedoras de todas as homenagens. Dentre elas, grande professora universitária, exímia pesquisadora na área política e da defesa das mulheres, com diversos livros publicados, ativista das causas sociais, crítica e apaixonada pela Sétima Arte. Tudo feito com uma paixão incomum e uma doação pessoal irretocável. Como não fosse suficiente tamanho cabedal, ela ainda produziu, junto com Pedro Veriano, uma obra prima, no caso, minha querida Ana Cristina.
Dito isto, retornemos ao assunto inicial, para quem declaradamente, fez-se presente no Cine Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, para acompanhar a homenagem justíssima à sua sogra, situação que por si só, já foi motivo de grande regozijo. Fui brindado com duas outras fantásticas emoções, comprovando que nada acontece por acaso e tornando esta noite inesquecível. A primeira, foi conhecer um projeto de inclusão social de adolescentes, através do cinema, desenvolvido pela professora Lília de Melo de um colégio da Terra Firme. Absolutamente fantástico! E a segunda emoção, é o real motivo de minha manifestação: ao final do evento, ocorreu a exibição do documentário paraense/carioca AMAZÔNIA GROOVE (Brasil, 1h25), direção de Bruno Murtinho e roteiro de Leonardo Gudel e co-produzido por Marco André Oliveira.
Amigos conterrâneos, poucas vezes tive tamanho orgulho de ter nascido nesta terra. O documentário é um primor! Ele testa com extrema maestria, cada um de nossos sentimentos mais profundos, consegue, ao sabor da maré, levar-nos em segundos, da risada escrachada a mais singela lágrima. E tudo isto, que me perdoem a ousadia de um mero espectador de filmes, com uma técnica esmerada, de direção, roteiro, som e fotografia.
Sem querer ser aquele chato e contar todo o filme (aliás, defeito que adoram me imputar e que confesso concordar), mas com os dedos coçando, não consigo me deter e descrever pequenos detalhes maravilhosos, que ficarão para sempre gravados na retina e no coração, dos privilegiados telespectadores dessa película ímpar. Claro que sem desvendar tudo, mas com o intuito de despertar no leitor, a sublime curiosidade, o filme já inicia com uma sequência antológica, gravada sem cortes, acredito que por um drone, que percorre um dos nossos inconfundíveis igarapés. A câmera como um olho maravilhado, pela exuberância de nossa floresta, segue delicadamente o curso d’agua observando cada detalhe, vai se aprofundando mata a dentro, sem ser lento, e passando a sensação que a qualquer momento teremos um êxtase. Em off, inicialmente uma locução geograficamente esclarecedora, que finaliza desvendando o grande argumento do documentário “quantas músicas cabem no nosso Rio”? Ainda sem cortes, na próxima curva do rio, surge a bela e grande surpresa, impensada e culturalmente vigorosa e significativa para nós. E se não bastasse, ainda guarda a última imagem da sequência. Sem palavras!
Deste início que classifico orgásmico, segue a apresentação sequencial de nove ilustres protagonistas da vida cultural paraense. Não irei enumerá-los para que continuem a ter a experiência que tive, que seja, a cada fechamento do ciclo de um dos personagens, por alguns maravilhosos segundos, ter a sensação, que é misto de adivinhação e surpresa, até desvendar quem será o próximo homenageado.  E assim, diante de olhos vidrados, somos convidados a mergulhar em nove universos infinitos. Cada um com um estilo próprio, apresenta-se através de um flash de sua história de vida muito particular e emocionante, em alguns casos pitoresca, guardando relação “sui generis” com encantamentos próprios de nossa região, vitórias pessoais improváveis, consagrações internacionais, entre outras. Mostram como e de quem receberam influências de diversos estilos que o encaminharam para aquele espectro musical, e assim, vem o brega, o bolero, o clássico, a guitarrada... toda essa efervescência musical que tanto nos particulariza e enriquece, como retalhos de uma colcha cultural, que se estende sobre nossas cabeças desde a nossa mais tenra idade e que aprendemos a nos acostumar quase que instintivamente. Para cada um, foi escolhido a dedo, o cenário adequado e coerente, portanto, temos o privilégio de visualizar pelos planos mais belos e inusitados, alguns pontos turísticos de nossa terra. Tudo contado com um zelo nos mínimos detalhes, com um tempero sofisticado e na dose absolutamente certa, fazendo o milagre de agradar para quem gosta do tucupi doce ou ácido, que me perdoe o anjo maldito, mas essa unanimidade é muito inteligente. Em uma palavra, irretocável!
E assim, finalizo fazendo o convite para que todos se deem o desfrute de assistir a um trabalho muito bonito e que enaltece a cultura de nossa gente. E a obrigação de divulgar para enchermos as salas que estão exibindo, nos shoppings: Cinépolis e no Parque Shopping Belém.
Parabéns efusivos a toda a equipe do documentário, em especial ao Marco André Oliveira, que não o conheço pessoalmente, mas antes do início do filme, falou que fez outro documentário sensacional, sobre o centenário do Paysandu. Ele só escolhe temas vitoriosos ....

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ESCRITA, IMAGENS ANIMADAS ...SEMPRE IDEIAS




Charles-Émile Reynaud em seu teatro óptico 

Volto à escrita como se dela tivesse me ausentado. Pensar o cinema, o que ele tem de criador e instigante é estar sempre presente em meio às imagens que profusamente vemos aqui fora e nas telas. Pensar o que já foi criado mostrando uma história da técnica, se transforma em inquietação porque imaginamos que desde 1898 os Irmãos Lumière inventaram uma maneira de capturar imagens e transmitir essas imagens em um aparelho, o cinematógrafo, que fazia as duas coisas, capturava-as e projetava, esta última, a inovação que resultou no que hoje se tem como cinema.  
O estudo da história das técnicas cinematográficas, mostra que o praxinoscope, criado em 1876, por Charles-Émile Reynaud (1844-1918) foi uma das inovações que trouxe o desenho de animação para a galeria das imagens e hoje, pouco se lê sobre isso. Ou poucos são instigados para estudar essa categoria. Como estou sempre percorrendo essa área e, agora, para orientar jovens que já têm experiência prática na animação no cinema, encontrei um vasto material sobre esse tema. Entre estes, o texto do Prof. Alan Cholodenko (The University of Sydney, Art History and Film Studies)- “A Animação do Cinema” (Galaxia (São Paulo, online), n. 34, jan-abr., 2017, p. 20-54), que analisa a presença de Charles-Émile Reynaud no cinema, antes dos Lumière. E o desenho de animação como uma arte que será apropriada pelas imagens em movimento.
Em um site interessante (http://biografiaecuriosidade.blogspot.com/  há uma biografia de Reynaud do qual fiz esse recorte:
“Em 1879, ele estava pronto com uma evolução da invenção, que ele chamou de “Praxinoscopio-Teatro”. Nele, as imagens em movimento se contemplavam refletidas numa espécie de palco teatral em miniatura e sobrepostas em projetos decorados como no método lanterna mágica, que constituía um fundo sobre o qual as figuras se moviam. Trata-se de um precursor do sistema de dupla exposição ou sobreposição, técnica que seria importante no desenvolvimento da cinematografia. Mas o principal inconveniente era que o movimento animado sobre um tambor, deveria ser necessariamente cíclico. Portanto, Reynaud concebeu a ideia de desenhar suas imagens, não sobre espelhos rígidos, mas sim, em uma fita transparente e flexível, que lhe permitiria passá-la de uma bobina para a outra.” (...)
Em 1892, Reynaud fez um filme curta de animação francês, de 15 minutos - “Un bon bock” (A Good Beer ou Uma Boa Cerveja). Usou 700 quadros pintados. Constitui-se num dos primeiros filmes animados criados e o “primeiro a ser exibido no praxinoscope modificado de Reynaud, o teatro óptico.”
Os estudos sobre esse inventor prosseguem. O texto do Prof. Alan Cholodenko (2017) tem informações ricas sobre a historiografia da animação. E o site: https://sydney.academia.edu/AlanCholodenko , com muitos textos para download.
A técnica cinematográfica desenvolveu-se, cooperando o fenômeno chamado “persistência retiniana”, ou seja, a incapacidade da imagem persistir nos olhos humanos por determinado tempo, levando à descoberta do movimento de imagens colocadas em série que ultrapasse determinada velocidade. As pesquisas, a partir desse recurso, levaram às formas de animação e também ao uso de fotografias dispostas em serie que Thomas Edson aplicou em seus aparelhos e os irmãos Louis e Auguste Lumière, que eram filhos de um fabricante de películas fotográficas, criaram, com o cinematógrafo, a técnica da projeção dessas imagens, dando a noção e movimento a uma plateia mais ampla.
Outros textos e informações sobre essas técnicas no cinema vão estar por aqui, de vez em quando.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

LISTA DE MELHORES FILMES DE CINÉFILOS






 É histórica esta promoção de listas de melhores filmes anuais dos cinéfilos. Primeiro, em uma coluna especializada em jornal e, em seguida, sendo publicadas no Blog da Luzia (http://www.blogdaluzia.com/). Houve, então, comprometimento pessoal com aqueles/as que se interessavam em ver o que era exibido em Belém e, tradicionalmente escolhido pela crítica local. Este ano, sem muito tempo para organizar essa participação, fui “intimada” pelos amigos Alex Barata Silva e Edyr Falcão que disseram: “vai ter ou não a nossa promoção anual de filmes?”. E eu aceitei o desafio. Saiu do meu controle (kkkk). Foram 10 listas que chegaram e contribuíram em mais um ano. Há duas cinéfilas, então se mantém a diversidade de gênero. Filmes do circuito comercial e do cinema extra estão avalizando esta relação geral. E ampliou-se a contagem dos pontos e o número de filmes: ao invés de 10 títulos foram aproveitados todos os citados em mais de duas indicações. Não foram contados os filmes de outras plataformas, mas registrados em menções especiais. O resultado registra 15 filmes na relação geral.


RELAÇÃO GERAL DE FILMES DOS CINÉFILOS – 2018 – BLOG DA LUZIA

1.Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson, 2017 - 36 pts
2.Em Chamas – de Lee Chang-Dong, 2018 --------------- 31 pts
3.Roda Gigante, de Woody Allen, 2018 ---------------- – 27 pts
4.Uma Noite De 12 Anos, De Alvaro Brechner, 2018 ----27 pts
5.Um Lugar Silencioso, de John Krasinski, 2018 -------- 26 pts
6. Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela, Hugh Welchman, 2017 - 25 pts
7. Me chame pelo seu nome, de Luca Guadagnino, 2017-----24 pts
8. Três Anúncios para um crime, de Martin McDonagh, 2018 --- 20 pts
9. Uma mulher fantástica, de Sebastián Lelio, 2017------------- 20 pts
10. Sem Amor, de de Andrey Zvyagintsev, 2017 ---------------------------- 19 pts
11. A Forma Da Água, de Guillermo del Toro, 2018 -----------------19 pts
12. Infiltrado no Klan, de Spike Lee, 2018 ------------------------- – 18 pts
13. O destino de uma nação, de Joe Wright, 2018 ----------------– 18 pts
14. Viva. A vida é uma festa, de Lee Unkrich, 2018 ----------------17 pts
15. Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer, 2018 ---------------------------- 9 pts


RELAÇÕES INDIVIDUAIS

 ALEX BARATA SILVA

1.Uma Mulher Fantástica
2. Me chame pelo seu nome
3.Pantera negra
4. Com amor Simon
5. 120 batimentos por minuto
6. A Jovem sem mãos
7. Cora Coralina todas as Vidas
8. Vingadores Guerra Infinita
9.Phoenix
10. Aquaman
Menção Honrosa - Flor da Lua Flor Onete

MARGARIDA XERFAN

1. Três Anúncios por um crime
2. Trama Fantasma 
3. Roda Gigante
4. Hannah
5. Dunkirk
6. Viva. A vida é uma festa
7. O Insulto
8. Infiltrado no Klan
9. The Post
10. Lady Bird

CARLOS LIRA

1. Trama Fantasma
2. Em Chamas
3. Sem Amor
4. Custódia
5. Antes que tudo desapareça
6. Amante por um dia
7. Bom Comportamento
8. Uma mulher fantástica
9. Me Chame pelo seu nome
10. Pantera Negra

NELSON ALEXANDRE

1. Roma, De Alfonso Cuarón;
2. Uma Noite De 12 Anos, De Alvaro Brechner;
3. Trama Fantasma, De Paul Thomas Anderson;
4. Me Chame Pelo Seu Nome, De Luca Guadagnino;
5. Viva: A Vida É Uma Festa, De Lee Unkrich E Adrian Molina;
6. A Ghost Story (Sombras Da Vida., De David Lowery;
7. Infiltrado Na Klan, De Spike Lee;
8.Projeto Flórida, De Sean Baker;
9. A Forma Da Água, De Guillermo Del Toro;
10. Dogman, De Matteo Garrone;

JEISON GUIMARÃES

1. Paraíso Perdido;
2- Todas As Canções De Amor;
3- Ana E Vitória;
4- Uma Mulher Fantástica;
5- Viva: A Vida É Uma Festa;
6- Maria Madalena;
7- Bohemian Rhapsody;
8- O Destino De Uma Nação;
9- Animais Fantásticos: Os Crimes De Grindelwald;
10- Jogador Nº 1

PAULO PAMPLONA FRAZÃO

1- Uma noite de 12 anos
2- Tesnota
3-Em chamas
4- Infiltrados na Klan
5-Me chame pelo seu nome
6-A última abolição
7- Trama Fantasma
8-A Forma Da Água
9-Arábia
10- Benzinho
Menção aos filmes (exibidos na NETFLIX - ROMA – Alfonso Cuaron  e  LAZZARO FELICE - Alice Rohrwacher

EDYR JOSÉ PEREIRA FALCÃO JUNIOR (EDYR FALCÃO.

1 - Roda Gigante
2 - Em Chamas
3 – Roma
4 - Uma Noite De 12 Anos
5 - A Forma Da Água
6 - Com Amor, Van Gogh
7 - Um Lugar Silencioso
8 - Bohemian Rhapsody
9 - Millennium: A Garota Na Teia De Aranha
10 - Entrevista Com Deus

VALESKA FALCÃO

1 - Com Amor, Van Gogh
2 - Roda Gigante
3 - A Forma Da Água
4 - Um Lugar Silencioso
5 - Millennium: A Garota Na Teia De Aranha
6 - Entrevista Com Deus
7 - Em Chamas
8 - Bohemian Rhapsody
9 – Roma

VINCE SOUSA

1. Com Amor, Van Gogh
2. Um Lugar Silencioso
3. A Forma Da Água
4. Em Pedaços
5. O Destino De Uma Nação
6. O Insulto
7. Sem Amor
8. Buscando
9. Hereditário
10. Infiltrado Na Klan

ORLANDO SÉRGIO F. DE CAMPOS

1 - Três Anúncios de um Crime
2 - O destino de uma nação
3 - The Square – A arte da discórdia,
4 - Loveless - Sem Amor
5 - Um lugar silencioso
6 - Trama Fantasma
7 - Lucky
8 - Infiltrado no Klan
9 - Em Chamas 
10 -  Uma noite de 12 anos